Uma ocorrência da Polícia Militar em um prédio abandonado no Centro de Goiânia, onde funcionava a Escola Brasileira de Implantes Dentários (EBIDE), terminou com a descoberta de equipamentos que inicialmente levantaram a suspeita de presença de material radioativo. A preocupação levou a PM a acionar a Prefeitura de Goiânia, que realizou uma vistoria técnica no imóvel e descartou risco de radiação. Segundo a avaliação, o aparelho de raio-X encontrado no local funciona por impulso elétrico e não possui elemento radioativo.

O equipamento foi localizado durante uma ação da Polícia Militar motivada por denúncias de furtos a estabelecimentos comerciais e escritórios da região. De acordo com a corporação, moradores em situação de rua e usuários de drogas utilizavam o prédio abandonado como abrigo e, segundo as denúncias recebidas, o local também estaria sendo usado como ponto de apoio para a prática de furtos durante o período noturno.

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Objetos abandonados dentro do local | Foto: Divulgação/PMGO

Aparelhos de raio-X não oferecem risco, diz secretário

Em uma nova visita ao prédio, a Polícia Militar acompanhou uma equipe da Prefeitura de Goiânia durante a vistoria técnica nesta quarta-feira,12. Após a avaliação, não foi identificado risco radiológico no aparelho de raio-X localizado no imóvel.

O secretário municipal de Eficiência (Sefic), Fernando Peternella, afirmou que os aparelhos de raio-X encontrados não oferecem risco à população. Segundo ele, os equipamentos funcionam por meio de energia elétrica e não utilizam material radioativo.

“Esse aparelho de raio-X é igual aos que existem em milhares de clínicas odontológicas aqui em Goiânia. Eles funcionam através de energia elétrica e não têm nenhum produto radioativo. É igual quando você quebra o braço e precisa fazer um exame de raio-X. Não existe risco para a população nem para a saúde pública”, explicou Peternella.

O secretário reforçou que o funcionamento dos equipamentos ocorre por meio de um pulso de energia elétrica responsável pela emissão dos raios utilizados no exame.

“Eles funcionam por energia elétrica. O aparelho tem um pulso de energia elétrica que solta o raio. Não existe nada radioativo que fique armazenado no equipamento e solte esse raio. Então, não há risco”, afirmou.

Peternella também comparou os aparelhos encontrados no local aos utilizados rotineiramente em consultórios odontológicos da capital.

“É como já falei: existem milhares de consultórios odontológicos que utilizam esse tipo de equipamento. O dentista faz o raio-X de um dente ou de outra parte da boca e isso é uma coisa normal. Não há risco à saúde”, disse.

Embargo Judicial

Apesar da avaliação sobre os equipamentos, a Sefic informou que os aparelhos não podem ser retirados do prédio neste momento. Segundo a pasta, o imóvel está sob embargo judicial e, por isso, nenhum objeto pode ser removido do local sem autorização.

Suspeita mobilizou preocupação da PM por conta do césio-137

Ao entrar no imóvel, os policiais encontraram equipamentos e materiais relacionados à antiga atividade odontológica, entre eles um aparelho de raio-X. A possibilidade de haver material radioativo no prédio chamou a atenção da corporação, principalmente diante do histórico do maior acidente radiológico ocorrido no Brasil, o acidente com o césio-137, em Goiânia, em 1987.

A preocupação da PM estava relacionada principalmente ao fato de o imóvel ser acessado por pessoas sem conhecimento técnico sobre o funcionamento ou os riscos associados a equipamentos utilizados em procedimentos odontológicos. Segundo a corporação, havia receio de que moradores de rua e usuários de drogas pudessem manipular algum dos materiais encontrados sem saber que determinado equipamento poderia oferecer risco.

A PM fez uma comparação com o acidente do césio-137, ocorrido em Goiânia, quando uma cápsula contendo material radioativo foi retirada de um aparelho abandonado e posteriormente aberta por pessoas que desconheciam o conteúdo e os riscos envolvidos.

Diante da situação, a corporação acionou formalmente a Prefeitura de Goiânia para que fossem adotadas providências de segurança no imóvel e realizada uma avaliação técnica dos equipamentos encontrados.

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Materiais deixados dentro da escola | Foto: Divulgação/PMGO

Prédio era usado como abrigo e teria relação com furtos

Segundo a PM, o imóvel abandonado vinha sendo frequentado por moradores em situação de rua e usuários de drogas. A corporação recebeu denúncias de que pessoas estariam utilizando o prédio como moradia e que, a partir dali, seriam praticados furtos contra estabelecimentos comerciais e escritórios localizados nas proximidades.

Com apoio das equipes de Inteligência, a Polícia Militar informou ter prendido dois suspeitos de furtos a estabelecimentos comerciais na região central de Goiânia. Os conduzidos e os objetos apreendidos foram encaminhados à Central Geral de Flagrantes para as providências cabíveis.

Comerciantes relatam invasões

A reportagem esteve no local e conversou com comerciantes que trabalham nas proximidades da antiga escola. Segundo eles, o fato de o imóvel estar fechado não impede a entrada de pessoas.

“Eles descobriram isso aqui e agora não saem daí. Eles pulam o muro, arrombam o portão e entram”, relatou um dos comerciantes.

Outro comerciante criticou o que considera uma dificuldade para impedir que os suspeitos voltem às ruas após as prisões.

“A Polícia faz o trabalho dela, mas a Justiça solta. O problema aqui não é a falta de polícia, na verdade, é a legislação brasileira que é frouxa demais”, afirmou.

Preocupação

A possibilidade havia causado preocupação entre comerciantes que trabalham nas proximidades do imóvel. Eles afirmaram à reportagem que não tinham conhecimento da existência dos equipamentos e ficaram apreensivos ao saber da suspeita.

“Quanto ao material encontrado lá dentro da escola, é claro que ficamos com medo quando ficamos sabendo, pois ninguém aqui sabia disso, mas após a Prefeitura vir aqui e fazer a vistoria técnica e dizer que não há perigo, estamos mais tranquilos”, disseram comerciantes ouvidos pelo Jornal Opção.

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