Entenda a disputa entre transmissão e distribuição que trava energia no Vale do Araguaia
12 maio 2026 às 07h30

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O Vale do Araguaia, no Noroeste de Goiás, desponta como uma das novas fronteiras agrícolas do Brasil. A região reúne terras amplas e planas, solos férteis, disponibilidade hídrica e extensas áreas de pastagens degradadas que vêm sendo convertidas para agricultura.
Um estudo encomendado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e elaborado pela McKinsey & Company em 2025 aponta cenários otimistas para a expansão agrícola da região.
Segundo o levantamento, o Vale do Araguaia combina terras mais baratas, clima favorável e potencial de crescimento capaz de ampliar significativamente a produção de grãos em Goiás e no Brasil.
Na prática, o avanço já ocorre em ritmo acelerado. Embora ainda represente cerca de 2% da produção agrícola goiana, aproximadamente 700 mil toneladas em 2024, a região registra crescimento médio anual de 35% desde 2019, índice sete vezes superior à média estadual, conforme dados do Instituto Mauro Borges (IMB).
Produtores rurais relatam aumento de produtividade com sistemas de integração lavoura-pecuária e projetos de irrigação. No entanto, o crescimento do agronegócio no Vale do Araguaia esbarra em um gargalo considerado crítico: a falta de energia elétrica confiável.
O principal entrave envolve um impasse entre os sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica, situação que tem atrasado investimentos e dificultado novas ligações para propriedades rurais e empreendimentos agrícolas.
Na prática, produtores enfrentam problemas para ampliar cargas elétricas, instalar pivôs de irrigação e conectar novos projetos ao sistema energético. O problema ocorre porque parte da infraestrutura necessária depende da expansão da rede de transmissão, enquanto outra depende das concessionárias de distribuição.
Sem definição clara sobre responsabilidades e investimentos, obras consideradas estratégicas seguem travadas, afetando diretamente o avanço do agronegócio no Vale do Araguaia. A falta de energia estável já é apontada por produtores e empresários como um dos principais obstáculos para que a região consolide seu potencial agrícola.
O potencial econômico da região tem atraído cada vez mais produtores rurais, empresários e investidores do agronegócio. Nesta semana, o governador em exercício de Goiás, Daniel Vilela, participou da segunda edição do Conforto Experience, evento voltado ao agronegócio realizado na Fazenda Conforto, em Nova Crixás, no Vale do Araguaia.
O encontro reuniu cerca de mil produtores rurais, empresários e representantes do setor agropecuário para discutir mercado, produção e investimentos na região. O avanço agrícola do Vale do Araguaia tem sido acompanhado por uma corrida por infraestrutura, especialmente nas áreas de energia, logística e armazenagem.
A avaliação de produtores é de que, sem solução para o impasse energético, parte do potencial de crescimento da região pode ficar comprometido nos próximos anos.
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