Empresário e amigo de Neymar, Bruno Lamego é preso por intermediar carregamento de cocaína

Juiz que manteve suspeito preso preventivamente, afirma que há indicação de que ele participava “em organização criminosa voltada ao tráfico transfronteiriço de entorpecentes”

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O empresário Bruno Lamego Alves, um dos muitos amigos do jogador Neymar, é acusado por tráfico internacional. O suspeito foi surpreendido pela Polícia Federal em 28 de maio e preso, pois teria intermediado um carregamento de 760 quilos de cocaína. Este iria para Bélgica pelo Porto de Santos.

Sobre o relacionamento com o jogador, Lamego aparecia em fotos com o atleta em viagens por Paris, além de festas de aniversário do craque. No Instagram, o acusado publicou, em 2018, um vídeo em que é chutado pelo amigo após perder uma partida de truco.

Conforme o inquérito, o qual a Veja teve acesso, o empresário foi atrás de uma produtora de milho do Paraná, a fim de exportar fubá para a Europa, em 2017. Na ocasião, ele teria se identificado como um representante de uma importadora dos Países Baixos, o holandês Robert Nuur.

Engenhoso

A ideia de levar o desconhecido fubá ao mercado da Europa agradou e os executivos brasileiros teriam passado despercebidos por qualquer inconsistência. Como o porto de Santos ficava mais perto, a carga deveria sair de lá. Além disso, outro ponto destoante dos padrões internacionais foi a ausência de contrato de câmbio e o fato da estufagem do contêiner ficar a encargo da importadora.

Foram feitos nove depósitos de R$ 88 mil em caixas eletrônicos por Bruno. Tudo conforme foi acertado. A droga foi colocada entre os sacos de farelo de milho, quando o caminhão que transportava a mercadoria fez uma parada no Guarujá para carregar o contêiner.

Os entorpecentes foram encontrados, apesar da engenhosidade, pelos fiscais da Receita Federal, que desconfiaram do arranjo dos sacos [depois desta passar nos scanners] e realizarem a fiscalização.

Envolvimento

Foi possível identificar Alves, porque os e-mails enviados para a empresa de milho foram mandados pelo celular dele. Aos agentes da PF, ele negou o envolvimento e disse ser vítima de armadilha.

Esta, segundo o suspeito, teria sido arquitetada por um estrangeiro – o próprio Nuur. Ele disse, ainda que o holandês teria lhe dado a senha do próprio e-mail, uma vez que não falava português e tinha que contatar a exportadora.

“Ele não conseguiu comprovar o encontro nem indicar quem era essa pessoa fictícia que o teria contratado para fazer o negócio. Ele inventou essas histórias e os e-mails eram falsos. Na verdade, ele era o Nuur”, disse a delegada Fabiana Lopes, responsável pelo caso.

Prisão preventiva

O juiz Roberto Lemos manteve o amigo de Neymar preso preventivamente na Penitenciária 1 de São Vicente (SP), por verificar indícios necessários para tal. Segundo ele, há indicação de que Lamego participava “em organização criminosa voltada ao tráfico transfronteiriço de entorpecentes”.

Conforme a defesa de Bruno, o acusado é sócio de três empresas, sendo uma de importação e exportação, uma de consultoria logística, além de um bar no Guarujá, e trabalha há cerca de 20 anos no comércio exterior. Foi pontuado, também, que ele não possui antecedentes criminais.

O advogado do suspeito, Ricardo Ponzetto, afirmou que Bruno tem como rotina procurar pessoas que têm interesse em exportar e importar e que foi isso que ele fez. “A investigação foi iniciada em 2017 e, nesse tempo, não acharam nada de errado contra ele. Foi uma decisão absurda”.

Foi protocolado, no Tribunal Regional da 3ª Região, um pedido de habeas corpus, mas ainda não houve decisão. Lamego também é amigo do surfista Gabriel Medina, mas as fotos com o esportista foram apagadas.

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