“Empresa de fachada movimentou mais de R$100 milhões em dois anos”, diz MP

Operação apura a comercialização de grãos produzidos em Goiás e remetido para outros Estados com notas fiscais de instituições que não existem

Foto: Reprodução

A secretária da Economia, Cristiane Schmidt, participou da coletiva sobre a Operação Gran Família, deflagrada na terça-feira, 26, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com o Centro de Inteligência do Ministério Público de Goiás, Polícia Civil, Sefaz e integrantes do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) acompanham a operação. Cristiane falou que a concorrência desleal deve ser combatida por desmotivar os empresários que atuam dentro da Lei.

A investigação constatou uma movimentação envolvendo uma das empresas de fachada, localizada em Mato Grosso, na ordem de R$ 100 milhões, que ensejou a autuação de R$ 35 milhões em impostos, relatou o MP. Do total superior a R$ 100 milhões, 80% foram remetidos a produtores rurais goianos que vendiam sem nota.

“Trata-se de R$ 35 milhões sonegados na comercialização de grãos por uma única empresa em Goiás, isso em 2013 e 2014 apenas. Não tenho dúvida de que com o material apreendido nas buscas teremos materialidade da conduta por bem mais tempo”, afirmou a secretária.

Segundo a promotora do Gaeco, a operação apura os crimes de sonegação fiscal mediante fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Para o MP, os delitos ultrapassam os prejuízos causados ao Estado. “É uma desonestidade com os comerciantes e empresários que atuam com responsabilidade fiscal, essa atividade ilícita causa um desequilíbrio imenso na competitividade”.

Eram feitos contratos com grandes empresas, por meio de empresas de fachada, envolvendo muitos membros da família tanto do núcleo de Rio Verde como de Cristalina. De acordo com investigações, Divino Carlos Martins atuava em Cristalina e os filhos atuavam em Rio Verde, no entanto, haviam outros familiares envolvidos.

Operação Gran Família

A investigação, realizada pelo Núcleo Regional do Entorno do Distrito Federal (Luziânia) do Gaeco, apura crimes praticados sob o comando de um grupo de pessoas da mesma família que reside em Rio Verde e Cristalina.

Foram cumpridos cinco mandados de prisão em Rio Verde, quatro em Cristalina, um em Senador Canedo, dois no Estado do Mato Grosso e um em São Paulo, e determinado o bloqueio de bens dos envolvidos no valor de R$ 35 milhões. Segundo informações, o grupo criminoso se valia de empresas de fachada constituídas em outros Estados para comercializar grãos produzidos em Goiás burlando a fiscalização tributária.

A mercadoria produzida em Goiás era adquirida por membros do grupo sem nota fiscal do produtor e remetida para outros Estados com notas fiscais das empresas de fachada, o que fomentava concorrência desleal em relação aos produtores que atuam de forma legal.

Uma das empresas operadas pelo grupo, localizada no Mato Grosso, movimentou mais de R$ 100 milhões entre os anos de 2013 e 2014, valores que foram remetidos para produtores goianos e para membros do grupo criminoso. A movimentação relacionada a essa empresa ensejou a autuação pela Secretaria da Fazenda de Goiás (Sefaz) de membros do grupo na ordem de R$ 35 milhões.

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