Em Goiânia, presidenciável Luciana Genro defende federalização da Celg

A candidata falou de economia, criticou principalmente Marina Silva (PSB) e se colocou mais uma vez contra privatizações 

Foto: Samuel Straioto

Foto: Samuel Straioto

Desembarcou como uma passageira comum. Veio de voo comercial. Um vestidinho listrado com um blazer cinza com ombreiras e uma bolsa de pano das costas. E sorrindo chegou, cumprimentou aos jornalistas e todos os integrantes do Psol — um aglomerado de não mais que 30 pessoas com uma bandeira do partido. “Não temos dinheiro para jatinho, mas também nem queremos ser reféns de grande brancos, empreiteiras ou multinacionais”, disse a presidenciável Luciana Genro durante entrevista coletiva concedida à imprensa goiana. No local também estavam o candidato ao governo Weslei Garcia e o presidente da sigla, Reinaldo Assis Pantaleão.

Luciana falou de economia, reiterou as crítica aos três candidatos à frente nas pesquisas (principalmente Marina Silva, do PSB), se pôs mais uma vez contra privatizações, e garantiu que o Psol representa a nova política que os brasileiros esperam. “Estamos percorrendo o país para dizer que o nosso partido é o único que se apresenta como uma alternativa estruturalmente diferente na politica econômica e em geral”, sustentou.

Durante a entrevista, Luciana foi questionada quanto à possibilidade de riscos para os funcionários da Celg caso o projeto de federalização se concretize, e se mostrou a favor da ação de tirar das mãos do Estado de Goiás a companhia energética. “Os riscos para os trabalhadores é sempre quando se fala de privatizações. Sim, tem que federalizar, garantir o direito dos trabalhadores, e fazer uma auditoria em todos esses contratos de privatização para ver as brechas legais que nos permitam recuperar esses setores estratégicos que estão em mãos privadas”, afirmou.

A candidata reiterou que suas propostas são no sentido de não deixar as áreas estratégicas do país nas mãos de empresas. “Quando as empresas estão lucrando, embolsam o lucro. Mas quando começam a ter problemas, o Estado tem que bancar. Aí é muito bonito”, ironizou. Nesse aspecto, a candidata pelo Psol acredita que áreas como de energia elétrica, petróleo, água e telefonia não podem estar nas mãos de grandes empresas. “São áreas que não podem quebrar, então têm que estar sob o controle estatal”, concluiu.

Em um debate televisionado, Luciana chamou os três candidatos que estão mais à frente na pesquisa, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), de irmãos siameses. De acordo com ela, os três defendem, mesmo que com algumas diferenças, a mesma política econômica. “Não há nova politica se não se questionar as bases da submissão do Brasil aos interesses do capital financeiro, dos bancos, que são os únicos que vem lucrando inclusive nesse momento de crise em que o Brasil entra numa recessão”, explicou.

“Ela é um fenômeno que aparenta ser o que não é”

Quanto ao crescimento de Marina nas pesquisas, Luciana diz que remete em parte à morte de Eduardo Campos, outra parte à exposição que ela teve nas últimas eleições em 2010, mas principalmente “pela simbologia que ela criou e que não corresponde à sua essência”. “Ela é um fenômeno que aparenta ser o que não é. Tem um charme de nova política, entretanto reproduz a mesma velha política. Tanto que em poucos anos passou por quatro partidos e se aliou ao agronegócio dizendo que nunca foi contra os transgênicos; aos usineiros dizendo que vai aumentar a gasolina; aos banqueiros dizendo que vai dar autonomia ao Banco Central.”

Continuando sua fala, a candidata pelo Psol trouxe o episódio da mudança do plano de governo de Marina em relação à comunidade LGBT. “Se aliou aos setores mais reacionários e conservadores da politica nacional, no que diz respeito aos costumes, jogando no lixo a sua plataforma LGBT em menos de 24h e quatro tweets do [Silas] Malafaia”, sustentou. Segundo Luciana, o problema é que o seu partido não possui a mesma estrutura de campanha que Marina, Aécio e Dilma, reclamando, ainda do espaço que a mídia concede à candidata. “Não tenho o tempo de TV que eles têm e nem a cobertura de mídia. Infelizmente, algumas grandes redes televisivas não dão a mesma cobertura que dão aos três irmãos siameses. Então, para muitas pessoas parece que existem apenas três candidatos.”

Luciana Genro disse ainda que Marina canaliza os votos dos insatisfeitos com a política do PT-PSDB. “Por isso tenho dito que jogar o voto fora é votar em alguém que pode ganhar mas te decepcionar. Votar corretamente é votar no melhor candidato”, disse.

E em Goiás?

Questionada sobre propostas para os goianos, a presidenciável explicou que tem a convicção que para desenvolver o Estado é necessário ir além de realizar obras, melhorar a Saúde e Educação. “Nós precisamos fazer uma revolução na estrutura tributária brasileira. Isso significa desonerar a classe média, que é a que vem pagando mais impostos. Mais de 50% da arrecadação vem daqueles que ganham menos de três salários mínimos. Isso significa que os assalariados estão bancando o grande capital”, afirmou, defendendo que pretende, se eleita, aumentar a tributação sobre os bancos, sobre os lucros, para ter recursos que poderão fazer esses investimento. “Então, quando um candidato vem aqui e defende Saúde, Educação, mas não fala de onde irá tirar recurso, ele está mentindo, fazendo demagogia”, sustentou.

A candidata citou as manifestações de junho do ano passado, dizendo que as demandas das ruas seguem tendências, e para serem realizadas não é possível governar para todos. “É impossível fazer isso que alguns políticos defendem, porque é necessário contrariar interesses”, afirmou, garantindo que o Psol é a única sigla que fala claramente quais interesses serão contrariados. “Dos bancos, das empreiteiras, das grandes multinacionais, do grande latifúndios, grande agronegócio, mudando a estrutura agrícola, tributária e econômica do país.”

Deixe um comentário