Medidas governamentais foram fundamentais para tentar impedir o aumento da tarifa dos bilhetes

Em dois anos de pandemia, o transporte público goiano perdeu R$ 448.314, 006 de arrecadação na tarifa dos bilhetes de passagem. Durante o período crítico da crise sanitária provocada pela Covid-19, cerca de 137 milhões de pessoas deixaram de utilizar o transporte coletivo, devido as regras de distanciamento social, o que piorou a situação. As medidas adotadas, principalmente, pelo Governo de Goiás e pela Prefeitura de Goiânia foram cruciais para que o valor da tarifa não aumentasse exponencialmente.

Dados do Movimento Mova-se mostram que no período pré-pandemia, o número de passageiros era de cerca de 14 milhões de pessoas por mês. Já durante o período pandêmico esse número caiu para 8.880.300 pessoas. Levando em consideração o reajuste salarial dos motoristas, o aumento do óleo diesel e a alta da inflação, o preço do bilhete da passaram devia estar no valor de R$ 7,26.

Para o preço do bilhete não chegar na casa dos R$ 7,26 o Governo de Goiás anunciou um subsídio de R$ 2,96. A previsão é que o Poder Público custeie esse subsídio em 2022 com cerca de R$ 72 milhões para que o aumento não seja repassado ao cidadão. O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) enfatizou a importância da medida para que a população a não acabe sobrecarregada com altos valores.

“Tivemos coragem de apresentar projeto na Assembleia Legislativa, fazer mudanças substantivas e entrar com orçamento do Estado e das prefeituras para arcar com os valores para que o usuário não seja penalizado. Ou seja, não estamos colocando a mão no bolso do cidadão”, salientou Caiado. Na capital do Estado, a Prefeitura de Goiânia aporta subsídio financeiro ao sistema de transporte coletivo em R$ 4,55 milhões por mês.

A decisão sobre não promover o reajuste foi definida em reunião do colegiado da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) no início do mês de março deste ano. “Fizemos a primeira deliberação no sentido de garantir que não haverá reajuste tarifário para o usuário. nós lançaremos diversos produtos que virão progressivamente ao longo do ano”, afirmou o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.

Entre os novos produtos criados com essa finalidade, estão o Cartão Assinatura (vale transporte adquirido por empresas); Cartão Família (valor único para utilização pelo titular e mais quatro pessoas cadastradas); tarifas com validade estendida como Bilhete um Dia e Bilhete uma semana; Cartão Pós-pago (gastos enviados via fatura) e Bilhete Meia Tarifa (válido para percursos de até 5 km). Os serviços chegam com base na Tarifação Flexível, nova política pública elaborada para o transporte público na Capital e região Metropolitana.

Segundo o levantamento elaborado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), nacionalmente esta perda foi de R$ 25,7 bilhões, entre março de 2020 e fevereiro de 2022. O impacto financeiro médio foi de R$ 1,12 bilhão por mês no período da pandemia, causado pela acelerada queda do número de passageiros. Goiás foi um dos poucos estados que conseguiram encontrar soluções para amparar a Rede de Transportes e os cidadãos.