Em Dia Internacional da Mulher, mulheres do Jornal Opção escrevem manifesto

Mulheres no comando
Por Leicilane Tomazini 

A luta por igualdade de gêneros que as mulheres vêm travando não é nova. As conquistas atingidas até agora englobam a luta por equidade de cargos e salários, muito embora, este ideal ainda não seja cem por cento satisfatório. O “sexo frágil”, que convenhamos, não é lá tão frágil assim, segue na luta por um cenário profissional mais receptivo com as mulheres, reconhecendo e recompensando seus esforços.

Quando falamos em mercado de trabalho, as mulheres seguem na busca por uma maior representatividade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população economicamente ativa (PEA) feminina representa mais de 43%, e no mercado de trabalho formal as mulheres representam mais de 39%. São dados relevantes, mesmo que tenha sido moroso, o caminho trilhado pelas mulheres, até agora, é crescente.

Um exemplo claro disso é o mundo dos negócios, uma área em que ainda é composta, em sua maioria, por homens. Temos vários nomes de empresárias de destaque, como Mary Barra, primeira mulher a liderar uma montadora de automóveis; Paula Bellizia, brasileira que se destaca na área de tecnologia, como líder da Microsoft Brasil; e Chieko Aoki, naturalizada brasileira, ela é fundadora e presidente da Blue Tree Hotel.

Em Goiás temos, também, várias mulheres empreendedoras que superam barreiras a cada dia, e independente do ramo, elas se destacam em sua atuação. Podemos citar a empreendedora e empresária Chris Taveira, ela é graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás, foi sócia do Grupo Franqueado da Rede Burger King no Brasil, por 12 anos, com 70 restaurantes e mais de dois mil colaboradores. Já atuou como consultora em Gestão e Estratégia, atendendo empresas, governos e organizações do terceiro setor.

Parem de nos matar
Por Elisama Ximenes

A data marcada pelo simbolismo da luta das mulheres por emancipação chega a 2019 com ainda muitos retrocessos. É verdade que avançamos, mas também é factível que ainda há muito o que conquistar para se alcançar a equidade de gênero.

No Brasil, pelo menos, o dia 8 de março tornou-se data comercial e é recheada por ações que reforçam ainda mais o machismo. Neste ano, não quero flores, quero que nossa sociedade tenha peito para debater e enfrentar a misoginia que matou, em 2018, uma mulher a cada duas horas somente por ser mulher, no Brasil.

Quero que a violência contra a mulher seja efetivamente combatida para além da Lei Maria da Penha. Enquanto estamos amparadas pela Legislação, nas delegacias especializadas vemos vítimas serem deslegitimadas e desencorajadas pelas próprias autoridades.

Em 2018, 16 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência no Brasil, segundo o Datafolha, o equivalente à população do Equador. Em 2017, de acordo com a Folks Tecnográfica e o IBGE, o assédio virtual no Brasil cresceu 26.000%.

Segundo o Ipea, entre 822 a 1370 mulheres são estupradas por dia no Brasil. Poderia fazer um enorme texto com esses dados absurdos, mas é incrível como eles ainda não chocam e não foram capazes de mudar a postura misógina da sociedade.

É verdade que muito já se conquistou, mas há muito mais para lutar, por isso não há de se desmerecer as feministas dos tempos de hoje em detrimento daquelas do passado. Enquanto elas queriam trabalhar e votar, nós, hoje, queremos sobreviver. Parem de nos matar.

“Somos força, resistência e desejos”
Por Lívia Barbosa

Na semana em que é comemorado o Dia das Mulheres algumas notícias me lembram o quanto é preciso avançar para que tenhamos uma sociedade minimamente justa para todas nós. Uma mulher foi assassinada pelo companheiro no interior de Goiás, ao que tudo indica porque quis se separar, olha só que audácia, desejou ter o controle da própria vida.

Outro caso, de repercussão nacional, nos traz uma verdadeira apoteose de terror: uma jovem embriagada é abusada pelo cunhado e seu namorado ao se deparar com a cena agride e ateia fogo ao corpo da jovem. Mais uma vítima entre tantas outras que não sobrevivem ao machismo.

Esse machismo estrutural que não existe apenas do outro lado do mundo, onde as mulheres sequer podem dirigir, conversar com estranhos ou mesmo andar pelas ruas sem a companhia de um tutor. Essa triste história se repete em diferentes níveis, seja quando uma mulher muda o caminho para desviar de uma rua muito deserta, ou até mesmo deixa de ir a algum lugar sozinha, por medo de ser abordada de forma inadequada.

Ser mulher é pensar várias vezes sobre todas as consequências dos nossos atos, grandes e pequenos, escolhendo quais lutas diárias enfrentar dentro do que se considera essencial. Estamos longe da igualdade, mas seguimos lutando, cada uma dentro de sua própria realidade: postos de trabalho, reconhecimento, independência e algumas até pela vida.

Pensando bem temos muito o que comemorar, mulheres, meninas e adolescentes: somos força, resistência e desejos. Enquanto uma mulher estiver lutando sua luta diária devemos celebrar o Dia da Mulher.

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