Educadores em greve protocolam “pauta enxuta” na Prefeitura de Goiânia e no MPGO

Grevistas vão decidir se desocupam a Câmara somente no início da próxima semana e prometem protestos hoje e na convenção estadual do PT, sábado, 27

Uma comissão de servidores da educação municipal de Goiânia protocolou na Prefeitura e no Ministério Público de Goiás (MPGO) na manhã desta quinta-feira (26/6) o que chamam de “pauta enxuta” de reivindicações. A intenção é facilitar o início das negociações com o Paço, visto que a categoria está em greve há exatamente um mês, com ocupação do plenário da Câmara de Vereadores há 16 dias. Nesta manhã, como forma de protesto, os grevista lavaram no chafariz da Câmara, simbolicamente, roupas sujas que seriam de vereadores da base do prefeito.

A pauta enxuta consiste basicamente em quatro pontos: pagamento do retroativo do piso salarial nacional e das titularidades (que começou a ser pago reajustado somente a partir de maio); estabelecimento de gratificação de 30% para auxiliares de atividades educacionais que atuam nos Cmeis; cumprimento da data base de 2014 mais o retroativo para os servidores administrativos; além do fim do decreto da prefeitura que retirou alguns direitos dos trabalhadores municipais devido à situação financeira da administração municipal.

O que fica para depois

Segundo o professor Antônio Gonçalves, coordenador do Sindicato Municipal dos Servidores da Educação em Goiânia (Simsed), deixam de ser exigidos para o fim imediato da paralisação demandas como a gratificação por regência –– oriunda de acordo que suspendeu greve no final do ano passado e que, embora aprovada pela Câmara, a lei aguarda sanção ––, transposição de cargo a auxiliares administrativos, juntamente com a reposição salarial; e a criação de uma comissão permanente para discussão sobre o plano de cargos e salários. “Retiramos cerca de 15 pontos”, afirma o grevista.

Possível desfecho

Após reiteradas medidas severas em relação aos educadores em greve –– como não fornecimento de água e luz no plenário da Câmara ––, o presidente da Casa, Clécio Alves (PMDB), recuou do pedido de reintegração de posse, que obteve decisão favorável da Justiça, inclusive com autorização para uso de força policial em caso de necessidade. O cumprimento da medida era previsto para a partir das 16h da última terça-feira (24), porém não foi concretizada a fim de se evitar transtornos e eventual violência.

Apesar do clima que começa a ser favorável a negociações, com a revisão de posicionamento de Clécio Alves e o enxugamento da pauta pelos professores, os grevistas aguardam ainda para a tarde desta quinta-feira que uma comissão de vereadores seja formada para acompanhar o cumprimento das reivindicações. “Queremos para hoje ainda uma posição oficial dos vereadores sobre os pontos da pauta que foi enxugada”, salienta Antônio Gonçalves.

Professores vão protestar em convenção do PT

Os grevistas afirmam que permanecerão na Câmara no mínimo até a próxima terça-feira (1º/7), quando vão realizar nova assembleia geral para deliberar os rumos do movimento. Nesse sábado (27), a categoria promete realizar protesto durante a convenção partidária do PT, na qual será homologada a candidatura de Antônio Gomide ao governo. O evento está previsto para ser realizado a partir das 18h na Assembleia Legislativa.

Devido ao ano eleitoral, cogita-se que o mau momento vivido pela administração petista na capital possa influenciar negativamente nos votos à chapa pura do PT, o que é refutado pelos políticos da legenda, que ressaltam a boa administração de Gomide em Anápolis, cidade para a qual foi reeleito prefeito em 2012 com praticamente 90% de votos válidos.

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