“É uma das tradições mais bonitas que nós temos”, diz Marconi sobre cavalhadas

Em lançamento do Circuito Cavalhadas de Goiás, no Palácio das Esmeraldas, o governador afirma que o Estado precisa sustentar a manutenção da cultura goiana

Representante dos mouros das cavalhadas de Santa Cruz de Goiás, Hamilton Samuel, agradeceu ao governador Marconi Perillo (PSDB) pela inclusão da festa mais antiga de Goiás no Circuito Cavalhadas | Foto: Humberto Silva

Representante dos mouros nas cavalhadas de Santa Cruz de Goiás, Hamilton Samuel agradeceu ao governador Marconi Perillo (PSDB) pela inclusão da festa no circuito | Foto: Humberto Silva

Ao completar 200 anos de tradição em Goiás, as cavalhadas ganharam, por meio da Agência Goiana de Turismo (Goiás Turismo), um circuito de manutenção e incentivo da tradição cultural, religiosa e histórica das apresentações que reproduzem as batalhas entre mouros e cristãos.

O governador Marconi Perillo (PSDB) lançou na tarde desta terça-feira (3/5) no Palácio das Esmeraldas o Circuito Cavalhadas de Goiás, que inclui inicialmente Jaraguá, Pirenópolis, Palmeiras de Goiás, Posse de Goiás, Santa Cruz de Goiás, São Francisco de Goiás e Corumbá.

Com 200 anos de existência, as cavalhadas de Santa Cruz de Goiás são as mais antigas do Estado. “E essas cavalhadas estão em Goiás há muitos anos. Em Posse tem 98 anos, Jaraguá acho que mais ou menos isso, Santa Cruz de Goiás 200 anos, Pirenópolis 190, Palmeiras 108, São Francisco 166, Corumbá, segundo os registros que eu tenho, 54 anos. É uma tradição de dois séculos”, lembrou Marconi.

As festas incluídas no Circuito Cavalhadas de Goiás acontecem em maio e setembro. As primeiras são as de Jaraguá, Posse e Santa Cruz — entre 14 e 15 de maio –, seguidas por Pirenópolis — de 15 a 17 de maio –, Palmeiras — 27, 28 e 29 de maio –, São Francisco — 18 e 19 de junho — e Corumbá — de 8 a 10 de setembro.

Essa tradição, segundo o tucano, não sobreviveria sem a ajuda do governo estadual, disse Marconi ao Jornal Opção. “Sem o Estado ajudar fica muito difícil a manutenção dessas tradições. Em algumas cidades, elas já teriam acabado se não fosse o apoio estatal.”

Além do incremento ao turismo com o apoio para que as cavalhadas nessas seis cidades aconteça, como disse em discurso o presidente da Goiás Turismo, Leandro Garcia, a preservação da tradição familiar, religiosa e cultural deve incluir outros seis municípios em breve.

“Eu já pedi ao presidente Leandro Garcia que inclua imediatamente, após esse primeiro Circuito, São Francisco de Goiás, Crixás, Hidrolina, Pilar de Goiás, que uma das mais tradicionais cidades goianas, Luziânia, que tinha cavalhadas, e Niquelândia, que eu não sei se voltaram com as cavalhadas. Já são seis. Com essas nós vamos para 12 cavalhadas que existem ou já existiram no nosso Estado. São Francisco já foi incluída ontem pelo presidente Leandro”, declarou o governador.

Natural de Palmeiras de Goiás, Marconi lembrou da sua infância no discurso, e contou quando gostava de acompanhar a montagem dos camarotes da festa, a chegada dos participantes e seus ensaios.

“E eu cresci na minha cidade de Palmeiras gostando, amando, as cavalhadas. Depois casei com uma moça de Pirenópolis que cresceu participando de cavalhadas, de pastorinhas e de todas as festividades religiosas. Em Palmeiras, eu participei em todos os campos: de frente ao cemitério e hoje no Parque das Cavalhadas.”

O compromisso afirmado pelo governador tem como objetivo manter a tradição das cavalhadas. “O governo tem que estimular, tem que apoiar, porque essa é uma das tradições mais bonitas que nós temos no folclore, na cultura de Goiás. Por isso que nós estamos criando esse circuito, que é exatamente para valorizar e garantir recursos financeiros”, disse em entrevista ao Jornal Opção.

Tanto o governador quanto o vice-governador e secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP-GO), José Eliton (PSDB), disseram ter respeito e identificação com as cavalhadas por terem sido criados no interior e valorizarem a cultura que viram de perto desde meninos.

“Essa é uma manifestação que representa o que há de mais tradicional em Goiás, que é o sentimento de religiosidade, de fé, de esperança, que é representado por cada um dos senhores e senhoras que carregam consigo a preservação da memória da história e da tradição de nosso povo. Quando celebramos 200 anos das primeiras cavalhadas, celebradas lá em Santa Cruz, primeira capital do Estado, nós observamos que em Goiás nós sabemos valorizar o que é nosso, valorizar nossa história e nossa tradição”, afirmou José Eliton.

O prefeito Alberane de Sousa Marques (PSDB), de Palmeiras de Goiás, agradeceu ao governador por abrir as portas do Palácio das Esmeraldas para receber e incentivar a “tradição cultural e artística mais antiga de Goiás”. Além dele, o prefeito de Corumbá de Goiás, Célio Fleury (PSDB).

Origem

“Ela foi instituída em Portugal pela rainha Isabel como Festa do Divino, que foi trazida depois para o Brasil pelos jesuítas. Mas há também um ramo das cavalhadas que veio da Espanha. Foi na Península Ibérica que se desenvolveu essa tradição das cavalhadas”, explicou Marconi.

Parte dessa tradição foi mantida a duras penas, segundo o governador, pelos reis antigos e embaixadores, imperadores e festeiros das cidades goianas, que têm feito com que as cavalhadas sejam realizadas. “Sem vocês e sem seus antepassados, Goiás seria um Estado muito menor hoje.”

“Às vezes é dispendioso para um cavaleiro de origem humilde comprar as roupas, viabilizar os cavalos — alugar, comprar ou tomar emprestado. E eu estou falando isso como alguém que conhece, que sente, que sentiu de perto ao longo do tempo essa situação toda. Muito obrigado a vocês que vieram de longe. Muito obrigado a vocês que apoiam”, pontuou Marconi.

Brincadeira

O vice-governador brincou com os cavaleiros. “E eu acho que, se na Segurança Pública eu precisar de soldados, eu posso convocar alguns dos senhores.” Vilanovense, José Eliton também adotou tom descontraído ao dizer que sempre foi atraído pelo vermelho que representa os mouros contra o azul dos cristãos, mas que “os cristãos acabam por ser vitoriosos sempre”.

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