“É um programa imposto para chantagear algumas universidades”, diz presidente da UNE sobre Future-se

Iago Montolvão afirma que estudantes querem verba da educação imediatamente; plano ainda passará por consulta pública, discussões internas e projeto de lei

Foto: Karla Boughoff / Cuca da UNE

O goiano Iago Montalvão, recém-eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), questionou o ministro da Educação, Abrahan Weintraub, na quarta-feira, 17, durante o lançamento do Future-se. “Cadê o dinheiro da Educação? A universidade hoje não tem dinheiro para funcionar. Muitos estudantes estão desesperados porque não têm dinheiro para fazer pesquisa”, perguntou o estudante que, nesta quinta-feira, 18, falou ao Jornal Opção.

Iago disse que os estudantes querem o recurso aprovado na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) 2018, referente ao exercício deste ano, imediatamente, pois muitas universidades podem não começar o semestre. Segundo o MEC, o Future-se deve destinar R$ 102,6 bilhões às universidades federais, sendo que, deste montante, R$ 50 bi já eram previstos no orçamento, mas isso não será feito de forma célere.

O presidente da UNE explica que para a vigência do Future-se ainda será feita uma consulta pública de cinco semanas, discussões internas e, posteriormente, um envio de projeto de Lei do Executivo, ou seja, este pode nem sequer existir esse ano. “É um programa imposto para chantagear algumas universidades a aderirem”, diz o Montolvão ao lembrar que este foi elaborado de cima para baixo, sem discussão com os reitores, que chegaram sem informação.

Opção política

Segundo Iago, o governo faz a opção política de não investir na educação, “para investir em outras coisas, como pagar juros da dívida pública. Não se faz um debate mínimo para solucionar o problema”.

Conforme Iago, questões feitas ao ministro sobre contingenciamento não foram respondidas, nem aos próprios reitores. Apesar de Weintraub ter convidado o estudante a sentar na primeira fileira e participar, ali não houve esse debate.

Montolvão confirmou que o ministro disse que iria convidar a Une, posteriormente, para uma reunião, “mas eu duvido muito. Se convocar, vamos exigir que o dinheiro de volta [para a Educação] e mostrar contrariedade ao projeto”.

Projeto

Iago revelou que ainda será preciso estudar de forma profunda o projeto, mas já adiantou que este parece perigoso para as universidades por reduzir o caráter público.

Segundo ele, o Ministério da Educação (MEC) tem feito comparações esdrúxulas na apresentação do Future-se, ao relacionar universidades norte americanas e europeias à brasileiras, que não possuem perfis semelhantes.

“Foi elaborado um modelo muito empresarial, que trata a educação como mercadoria. Absurdo enxergar a educação dessa maneira”. Ele explanou que, desta forma, só seriam produzidas pesquisas que agradassem  ao mercado, seja do ponto de vista social, da saúde, tecnológico, etc.

Mobilização

Já para o dia 13 de agosto, Iago informa que haverá uma mobilização nacional de estudantes, o que ele chama de “terceiro tsunami da educação”. O intuito é que os alunos sejam ouvidos.

Caso não haja diálogo, o presidente da UNE afirma que as mobilizações nas ruas e universidades continuarão. “Quanto mais os alunos não conseguirem fazer as suas atividades, mais estarão dispostos a irem às ruas”, analisou.

Foto: Matheus Alves / Cuca da UNE

Inércia

Também durante a conversa, Iago foi perguntado se, nas gestões passadas, a UNE não teria ficado inerte e que este governo teria sido um “despertador” para o movimento. “Não vejo inércia. Havia um governo em que existe possibilidade de diálogo. Nesse governo não há a possibilidade de apresentar pauta positiva”, avaliou.

Segundo ele, ainda, nas gestões anteriores houve um período de expansão nas universidades, além de programas de democratização do acesso. “Os estudantes viam perspectiva e agora passaram a se sentir atacados. Criou-se um ambiente de indignação muito forte”.

Ele lembra, também, que a UNE foi fundamental para a criação do ProUni, no governo Lula (PT), além da destinação de 75% do Pré-Sal para a educação, no governo Dilma (PT). “A UNE pressionou”, exemplifica e também cita a expansão das universidades para o interior e as cotas.

“Não dá para comparar a mobilização em um governo que tem avanço com outro que retira direitos”, finalizou.

Terceiro goiano

Iago Montolvão foi eleito no 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Brasília. Natural de Goiânia, o estudante de 26 anos faz economia da Universidade de São Paulo (USP).

Ele é o terceiro goiano a presidir a UNE. Antes dele, Aldo Arantes e Honestino Guimarães ocuparam o cargo.

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