Durante votação na Câmara presidente é chamado de “macaco” e diz que vai investigar crime

“Gostem ou não um negro é presidente dessa casa, racismo é crime”, disse Policarpo antes de suspender a sessão

Em sessão plenária na manhã desta quinta-feira, 14, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (Pros) foi vítima de racismo durante votação na Casa.

Uma das matérias que poderia ser analisada era a reforma administrativa que prevê aumento de cargos comissionados na Câmara, de autoria do presidente. Com isso, manifestantes compareceram ao plenário para protestar contra a decisão.

Enquanto os vereadores discutiam outras matérias, integrantes do Movimento Brasil Livre, do Partido Novo, taxistas e motoristas de aplicativo protestavam. Neste momento, algumas pessoas se exaltaram e chegaram a dirigir ofensas racistas a Policarpo, que é negro, e foi chamado de “macaco”.

“Gostem ou não um negro é presidente dessa casa, racismo é crime”, disse Policarpo antes de suspender a sessão. No retorno, o filiado ao Pros encerrou o plenário e disse que o responsável será investigado após ser identificado.

“Se eu numa posição de poder sofro com racismo, imagina o que jovens negros não passam na rua? Isso tem que ser apurado, é crime!”, finalizou.

Em contato com o Jornal Opção, Victor Salatiel, um dos coordenadores do MBL em Goiás, disse que o grupo não teve envolvimento com as agressões ao presidente da Câmara. “Havia apenas dois membros do MBL no plenário. Um deles era eu. Inclusive aplaudimos o (Romário) Policarpo no momento em que ele fez a denúncia (de racismo). Nosso movimento não aceita esse tipo de ofensa”, afirmou.

O ex-presidente do Partido Novo, Elison Bernardes, também entrou em contato com a reportagem e negou que algum membro do partido tenha proferidos ofensas raciais ao presidente da Câmara.

Com o encerramento da sessão, a discussão da reforma foi adiada para a próxima semana. O texto prevê aumento de 121 para 130 cargos comissionados.

Atualizado às 9:26 15/02

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PEDRO FELDON

O Movimento Brasil Livre é contra qualquer tipo de desrespeito à pessoa humana, e não participa de atos criminosos como sugere a matéria. Um lastimável exemplo de desserviço à sociedade e um descrédito ao jornal.