Dois meses após lançamento, como o Pequi Bank impactou na vida de estudantes e suas famílias em Goiás
22 agosto 2026 às 21h00

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Quando o marido de Érica Meneses ficou desempregado, o dinheiro que chegava à casa não era suficiente para deixar as contas em dia. Em meio às dificuldades, o benefício recebido pela filha, Luana Meneses, de 14 anos, estudante do 9º ano da rede estadual, passou a ajudar nas despesas básicas da família.
Pão, leite e outros alimentos comprados com o Bolsa Estudo, que paga R$ 130 para alunos de escolas regulares e R$ 150 para estudantes de escola em tempo integral, deixaram de ser apenas gastos da adolescente e passaram a fazer parte do orçamento da casa. “Teve uns dias que a gente estava com meu marido desempregado, estava complicado. Esse dinheiro dela foi o que salvou, para comprar pão, leite, alguma coisa assim para ela mesmo. Para nós, assim, foi uma bênção”, conta Érica ao Jornal Opção.
Luana diz que, desde que passou a receber o benefício pelo Pequi Bank, uma das primeiras coisas que pensa quando chega a data do pagamento é ajudar dentro de casa. “A primeira coisa que eu penso quando está prestes da data de receber o dinheiro é ajudar aqui dentro de casa. Depois eu penso em mim”, afirma.
A experiência da família Meneses mostra, dois meses após o lançamento do Pequi Bank, uma das faces mais concretas da mudança promovida pelo Governo de Goiás: para alguns estudantes, o cartão que passou a concentrar o Bolsa Estudo não representa apenas uma nova forma de receber o benefício, mas uma ferramenta que pode aliviar, ainda que parcialmente, o orçamento doméstico.

A iniciativa, segundo Luana, também trouxe uma sensação maior de independência para administrar o próprio dinheiro. “Depois do Pequi Bank, eu pude ajudar os meus pais porque a gente pode fazer compras aqui pra casa e isso tem ajudado bastante não só pra mim, mas aqui dentro de casa também”, relata Luana ao Jornal Opção.
Além do impacto imediato no orçamento familiar, Érica destaca que a filha passou a ter contato mais direto com a administração do próprio dinheiro. Para ela, o benefício também funciona como uma forma de aprendizado financeiro. “Foi muito importante mesmo. Uma coisa muito legal que o governo criou. O que mudou pra gente foi que ela aprendeu também a controlar o dinheiro dela”, afirma. “Aprendeu a gastar.”
Luana conta que utiliza principalmente a função de crédito do cartão e considera simples o uso do aplicativo e do serviço. “Super fácil de aprender, não tem nenhuma dificuldade”, diz. Para Érica, acompanhar o benefício também ficou mais simples com o aplicativo. Ela afirma que não enfrentou problemas durante o cadastro e considera que o processo reduziu a burocracia para acessar os recursos.
“Bem fácil, bem fácil mesmo. Não teve erro nenhum. Na hora que a gente colocou o que pediu, os documentos, o nome, tudo, deu tudo certo. Não teve nem um empecilho”, relata. A mãe também avalia positivamente a experiência com o cartão. “Ótimo aplicativo, com certeza. O cartão é aceito em vários lugares, então muito bom mesmo”, afirma.
Apesar da avaliação positiva, mãe e filha apontam uma função que gostariam de ver incorporada ao serviço: a possibilidade de realizar pagamentos por Pix. Segundo Érica, atualmente o recurso não está disponível.

Pequi Bank
Dois meses depois de ser apresentado pelo Governo de Goiás como uma nova plataforma de serviços financeiros, o Pequi Bank começa a mostrar seus primeiros efeitos concretos. Para estudantes que recebem o Bolsa Estudo, a principal mudança está na forma de acessar e movimentar o benefício: cartão e aplicativo passaram a concentrar operações que antes dependiam de outros sistemas.
O Pequi Bank foi lançado em 16 de junho, no Centro de Convenções da PUC Goiás. Na ocasião, cerca de 10 mil cartões foram entregues a estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio beneficiários do Bolsa Estudo. A própria GoiásFomento classificou o lançamento como o início de uma plataforma que deverá incorporar progressivamente outros serviços financeiros.
O Bolsa Estudo já era um programa de transferência direta de renda destinado a estimular a permanência e o desempenho dos estudantes da rede estadual. Atualmente, têm direito ao benefício alunos matriculados no 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio da rede pública estadual.
Com o Pequi Bank, a proposta passou a ser colocar o benefício dentro de uma estrutura financeira própria do Estado. O estudante pode utilizar o cartão e acompanhar informações pelo aplicativo, além de contar com recursos como bloqueio e desbloqueio remoto.
Na prática, uma das principais vantagens apontadas pelo governo é a possibilidade de resolver pelo celular situações que antes poderiam exigir atendimento presencial ou contato com a operadora do cartão. A possibilidade de bloquear o cartão em caso de perda ou roubo, por exemplo, representa uma mudança objetiva.
O estudante não precisa necessariamente esperar o atendimento de uma agência ou procurar a escola para iniciar o procedimento. A Seduc já informa, em suas orientações sobre o programa, que a segunda via pode ser solicitada mediante cancelamento do cartão, sem necessidade de comparecimento à secretaria da escola.
Para uma família que depende do benefício, esse tipo de facilidade pode significar menos deslocamentos e maior controle sobre o dinheiro. Mas é importante separar a melhoria operacional da ampliação financeira: o Pequi Bank ainda não significa, para o estudante, acesso automático a uma conta bancária completa ou a crédito.
O pagamento do Bolsa Estudo é automático para quem atende aos critérios e os valores são disponibilizados mensalmente. A Seduc mantém informações sobre os pagamentos e orientações para acompanhamento do benefício. O ganho potencial, portanto, está principalmente na autonomia e no acompanhamento.
Em vez de depender exclusivamente de um adulto para administrar o benefício, o adolescente passa a ter contato direto com uma ferramenta financeira. Essa mudança pode ter uma consequência que vai além do pagamento mensal: educação financeira, como a própria Luana afirmou.
Os 10 mil cartões entregues no lançamento representam apenas uma parcela do público que o governo pretende alcançar. A meta anunciada é chegar a aproximadamente 330 mil estudantes integrados ao Pequi Bank até o fim de 2026. Em uma etapa posterior, o projeto pretende alcançar cerca de 660 mil usuários, considerando outros programas e públicos.
Também há uma ambição financeira muito maior: movimentar aproximadamente R$ 16 bilhões por ano. Outro indicador da implantação é o próprio aplicativo Pequi Bank. A ferramenta começou a chegar às lojas digitais em julho e passou a concentrar funções relacionadas ao cartão.
O modelo aproxima o benefício de uma experiência bancária tradicional: o estudante utiliza o celular como instrumento de acompanhamento, verifica informações e pode administrar determinadas funções do cartão.


Balanço
O Pequi Bank já contabiliza cerca de R$ 1,15 milhão em desembolsos e mais de 90% dos cartões utilizados pelos estudantes beneficiários. Os números foram apresentados pelo presidente da Goiás Fomento, Rivael Aguiar, em entrevista ao Jornal Opção.
Segundo ele, o programa, além de viabilizar o repasse de recursos aos alunos, tem sido usado pelo governo estadual como uma ferramenta para ampliar iniciativas de educação financeira e desenvolver novos produtos. Para Rivael, um dos principais efeitos observados até agora é a possibilidade de os próprios adolescentes administrarem o dinheiro recebido.
“Uma das questões que a gente tem notado é essa questão desse sentimento de responsabilidade dos alunos, ao receber esse recurso, de administrar o seu próprio dinheiro”, afirmou. O presidente da Goiás Fomento avalia que a experiência permite transformar o aprendizado sobre finanças pessoais em uma atividade prática.
“Uma coisa é você ter, às vezes, uma aula teórica ali na própria escola sobre finanças pessoais. Outra coisa é você ter essa aula com a responsabilidade de administrar o seu próprio dinheiro”, disse. A instituição pretende ampliar as ações de educação financeira em parceria com a Secretaria de Estado da Educação.
Entre as iniciativas estudadas estão palestras, aulas e conteúdos específicos disponibilizados pelo próprio aplicativo. “Eu acho que um dos grandes impactos dele não é só na questão financeira, de ter um apoio nas despesas da casa, mas é de promover uma educação financeira que vai fazer a diferença para esse aluno, para esse adolescente, quando ele chegar na fase adulta da vida dele”, afirmou Rivael.
De acordo com o presidente da Goiás Fomento, os primeiros dias de operação foram marcados por dificuldades na ativação dos cartões, mas o processo teria evoluído rapidamente. Atualmente, segundo ele, mais de 90% dos cartões estão em plena utilização.
“Nós tivemos uma evolução muito rápida dos alunos na facilidade dessa ativação, na utilização dos cartões. Então hoje a gente está com uma média em torno de R$ 1,15 milhão em desembolsos desses cartões, e a gente já está com mais de 90% desses cartões em plena utilização”, afirmou.


A parcela restante, de pouco menos de 10%, inclui estudantes que ainda não utilizaram os recursos. Segundo Rivael, parte deles pode ter optado por guardar o dinheiro, enquanto outros enfrentaram problemas relacionados ao CPF. Com o retorno das aulas, a expectativa é que as escolas auxiliem na orientação dos estudantes que ainda não utilizaram os cartões.
A plataforma também passou a disponibilizar uma versão virtual do cartão, que pode ser usada pelo celular. Até o fim de agosto, a previsão é que o cartão seja integrado às carteiras digitais do Google e da Apple, permitindo pagamentos por aproximação. “Com essa tecnologia isso aumenta a aceitação. Já era uma demanda dos alunos”, afirmou.
A Goiás Fomento também prepara uma série de novos produtos associados à plataforma. De acordo com Rivael, a meta é que as iniciativas estejam concretizadas até o fim de 2026. Entre os projetos estão a ampliação dos beneficiários da Bolsa Estudo, com a previsão de alcançar toda a rede estadual de estudantes que têm direito ao programa, além da criação de uma modalidade de crédito consignado para aposentados do Estado.
Segundo o presidente da Goiás Fomento, a instituição também pretende oferecer condições diferenciadas a clientes que utilizarem o Pequi Bank em operações de crédito. “A gente vai ter também um benefício para os clientes da Goiás Fomento que utilizarem o cartão do Pequi Bank nos empréstimos. A gente vai conseguir um desconto nas taxas de juros”, afirmou.
Outro produto em estudo são cartões de benefícios destinados a funcionários de empresas públicas e privadas. A instituição também trabalha na criação de contas digitais para pessoas jurídicas. “A nossa meta é até o fim do ano a gente conseguir concretizar tudo”, disse Rivael.
Por envolver, em grande parte, estudantes menores de idade, o funcionamento do Pequi Bank exige autorização dos pais ou responsáveis para utilização dos cartões. Rivael afirma que o procedimento segue exigências do Banco Central e envolve mecanismos de identificação e validação.
“Até por uma exigência do Banco Central, é feito lá um termo de consentimento que o pai ou o responsável assina na hora de receber o cartão para poder a utilização ocorrer conforme a autorização de maior de idade”, explicou. Segundo ele, os dados dos usuários são anonimizados e o parceiro privado responsável pela plataforma precisou apresentar mecanismos de segurança para ser contratado.
A ativação dos cartões também passa por um sistema de reconhecimento e validação da identidade do usuário. “É um sistema de reconhecimento desse aluno, que faz toda uma série de validações para poder saber que aquele aluno realmente é quem está ativando o cartão”, afirmou.
O Pequi Bank também foi estruturado para que a Goiás Fomento não tenha custo direto com a implantação da plataforma, conforme previsto no edital e no contrato, segundo Rivael. “O projeto vai gerar receita para financiar suas despesas”, afirmou.


Caso a plataforma ainda não produza receita suficiente na fase inicial, o parceiro privado será responsável pelos custos de manutenção até que o projeto alcance capacidade de autofinanciamento. A previsão, de acordo com o presidente da Goiás Fomento, é de um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões do parceiro privado na implantação da plataforma, considerando os seis módulos previstos.
A receita deverá vir de diferentes fontes, conforme os produtos disponibilizados. Entre eles estão seguros, investimentos, títulos de capitalização, planos de saúde, previdência e operações de crédito. “Todo esse fluxo de serviços que os parceiros privados e os financiados privados forem oferecer na plataforma vai gerar taxas que vão fazer parte da receita do projeto do Pequi Bank”, explicou.
Também estão previstas receitas relacionadas à movimentação de recursos da Goiás Fomento na plataforma e ao chamado float, rendimento obtido eventualmente sobre os recursos mantidos nas contas. Após o desconto das despesas, o lucro previsto será dividido igualmente entre a Goiás Fomento e o parceiro privado, segundo Rivael.
Em outra frente de desenvolvimento, a plataforma deverá receber um sistema de atendimento baseado em inteligência artificial generativa. A ferramenta está em fase de implantação e, segundo Rivael, deverá ampliar a capacidade de atendimento aos usuários.
“Nós já estamos numa fase de implantação de um chat com inteligência artificial generativa. Então, isso vai ampliar a capacidade de atendimento, de solução de problemas com agilidade”, afirmou. Para o presidente da Goiás Fomento, a prioridade neste momento é aprimorar a experiência dos usuários e ampliar as funcionalidades disponíveis no Pequi Bank.
“O projeto está numa fase de amadurecimento, de desenvolvimento de ferramentas para facilitar a jornada do usuário, do beneficiário”, afirmou. Segundo ele, a instituição pretende continuar ajustando a plataforma conforme as demandas apresentadas pelos usuários.


Família de Sâmella
Mas a experiência de Luana e Érica é suficiente para dizer que o Pequi Bank facilitou a vida dos beneficiários? Para Sâmella Mendonça, outra aluna da rede estadual, sim. O impacto aparece na possibilidade de aprender a administrar o próprio dinheiro.
Desde que passou a utilizar o Pequi Bank, Sâmella afirma que ficou mais fácil acompanhar os gastos e organizar o dinheiro recebido ao longo do mês. O aplicativo é utilizado principalmente para compras pessoais, e a estudante diz que, com o tempo, passou a entender melhor as ferramentas disponíveis.
“Eu consigo pensar melhor com o que eu vou gastar e quanto eu estou gastando mensalmente”, afirma Sâmella. A estudante conta que teve algumas dúvidas nas primeiras vezes em que utilizou o aplicativo, mas conseguiu solucioná-las com as próprias orientações oferecidas pela plataforma.
Para ela, a principal mudança foi ter acesso mais fácil ao próprio dinheiro e poder acompanhar de perto como o benefício é utilizado. “Depois do Pequi Bank, ficou muito mais fácil acompanhar e organizar minha rotina financeira. Ficou mais fácil de organizar meu dinheiro”, relata a estudante.
Sâmella conta que utiliza com frequência o aplicativo e recorre à função de crédito para compras pessoais. A principal mudança percebida por Sâmella, porém, está na capacidade de planejar os gastos. Com o dinheiro sob sua responsabilidade, ela passou a ter uma noção mais clara de quanto pode gastar ao longo do mês.


A mãe, Paula Christina, também percebeu a mudança. Segundo ela, além de ajudar no orçamento doméstico, o programa contribuiu para que Sâmella desenvolvesse maior responsabilidade sobre o dinheiro.
“A Sâmella aprendeu a administrar o próprio dinheiro, sabendo que ela tem que administrar ao longo dos 30 dias”, relata. Paula afirma ainda que a digitalização reduziu a burocracia e evitou transtornos para a família. “É uma ajuda valiosa”, resume.
Além do aprendizado financeiro, Paula avalia que o sistema facilitou o acompanhamento da bolsa de estudos e reduziu dificuldades relacionadas ao recebimento e à utilização do benefício. “Facilitou bastante acompanhar a bolsa de estudo e isso incentiva as crianças a irem à escola, a não matarem a aula”, afirma.
Na avaliação dela, a ferramenta também trouxe mais praticidade para a família. “Com esse sistema melhorou muito a burocracia. A Sâmella pode fazer várias coisas e evita vários transtornos para a gente”, diz. Paula também destaca que o benefício teve impacto no orçamento familiar, especialmente em relação às despesas com alimentação.
“Com o Pequi Bank, ajudou muito. Não precisamos preocupar muito com relação à questão da alimentação”, afirma. Para a mãe, a experiência correspondeu ao que esperava e representou uma ajuda financeira importante. “Com certeza o Pequi Bank atendeu todas as minhas expectativas”, conclui.


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