Dois candidatos de Goiás disputam eleições de 2026 com mandados de prisão em aberto
19 agosto 2026 às 14h38

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Dois candidatos de Goiás nas eleições de 2026 aparecem no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com mandados de prisão pendentes de cumprimento. Os dois disputam uma vaga na Câmara dos Deputados e são alvos de ordens de prisão civil relacionadas a dívidas de pensão alimentícia.
O levantamento nacional, realizado a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o BNMP, identificou nove candidatos nessa situação em seis estados. As dívidas de pensão somam R$ 95,2 mil.
Em Goiás, os nomes são Cleuber Gomes Ferreira, conhecido como Ferreira do Portal Notícia, candidato a deputado federal pelo Republicanos, e Valdiley Abadia da Silva, que utiliza o nome de urna Dom Valdiley e concorre a deputado federal pela Democracia Cristã.
O Jornal Opção procurou o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), mas o tribunal informou que os processos tramitam em segredo de justiça. A reportagem também procurou os diretórios dos partidos e os candidatos, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Cleuber Ferreira

Segundo o levantamento, revelado pelo G1, Cleuber Ferreira é alvo de um mandado de prisão civil de 30 dias por uma dívida de pensão alimentícia de R$ 1.886,03. O débito corresponde ao período entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.
A decisão judicial aponta que houve pagamento de parte dos valores, mas não foi comprovada a quitação integral da dívida.
Candidato pela primeira vez, Cleuber declarou R$ 55 mil em bens à Justiça Eleitoral. O patrimônio informado inclui um carro avaliado em R$ 35 mil e uma motocicleta de R$ 20 mil.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o processo tramita em segredo de Justiça. O candidato e o Republicanos foram procurados, mas não haviam respondido até a publicação do levantamento.
Dom Valdiley

O segundo candidato goiano identificado é Valdiley Abadia da Silva. O mandado de prisão civil contra ele prevê 60 dias de detenção por dívida de pensão alimentícia. O documento não informa o valor do débito.
Segundo a decisão, uma ordem anterior não foi cumprida porque o candidato não foi localizado nos endereços indicados pela parte responsável pela cobrança. O mandado foi renovado e tem validade até julho de 2027.
Valdiley declarou não possuir bens à Justiça Eleitoral. Consultas à Receita Federal, porém, identificaram seu nome como presidente ou sócio-administrador de cinco CNPJs.
O Tribunal de Justiça de Goiás informou que o processo tramita em segredo de Justiça. O candidato e a Democracia Cristã também foram procurados.
Mandado não impede candidatura
A existência de um mandado de prisão não torna automaticamente o candidato inelegível. No caso das prisões por dívida de pensão alimentícia, a medida é de natureza civil e tem como objetivo pressionar o devedor a quitar o débito. Não se trata de uma condenação criminal.
Por isso, a existência do mandado, isoladamente, não suspende os direitos políticos nem impede o registro da candidatura.
No sistema de divulgação de candidaturas do TSE, os dois nomes aparecem como “concorrendo”. A classificação, no entanto, não significa que o registro tenha sido definitivamente aprovado, já que os pedidos ainda passam por análise da Justiça Eleitoral.
Candidatos podem ser presos?
Mesmo com a candidatura registrada, os candidatos que possuem mandados pendentes podem ser presos caso sejam localizados, observadas as regras eleitorais.
A legislação estabelece uma proteção especial nos 15 dias anteriores ao primeiro turno e nas 48 horas seguintes à votação. Nesse período, candidatos não podem ser presos ou detidos, salvo em caso de flagrante delito.
Em 2026, o primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
Levantamento nacional
O levantamento cruzou 20.575 registros de candidatura com 280.578 mandados de prisão existentes na base consultada do BNMP.
A primeira etapa apontou 475 possíveis correspondências. Os casos foram posteriormente conferidos com informações como CPF, nome completo, data de nascimento e filiação.
Ao final, nove candidatos permaneceram na lista com mandados de prisão em aberto. Dois outros nomes inicialmente identificados deixaram de aparecer como pendentes após atualizações feitas pelos tribunais.
A situação pode mudar a qualquer momento, tanto pela atualização dos mandados no BNMP quanto pelo julgamento dos registros de candidatura pela Justiça Eleitoral.


