“Dividindo as Contas” estreia em Goiânia e expõe trabalho invisível das mulheres
14 agosto 2026 às 15h24

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O trabalho doméstico, o cuidado com os filhos e familiares e até as renúncias financeiras feitas dentro de uma relação movimentam a economia das famílias, mas nem sempre são reconhecidos como contribuição. É sobre essa parcela invisível da vida financeira que o documentário “Dividindo as Contas”, dirigido por Patrícia Alves, lança luz ao abordar autonomia, dinheiro e desigualdade de gênero nas relações afetivas.
O longa-metragem será lançado em Goiânia no dia 20 de agosto, às 20h, no Cine Cultura, localizado no Centro Cultural Marieta Telles Machado, na Praça Cívica. A entrada será gratuita, limitada à capacidade da sala.
Produzido pela Roch Produções, de Rochelle Silva, com apoio da Pequi Roxo Produções e da É Nóis Ki Tá Produções, o documentário parte de uma questão que atravessa diferentes histórias: como contabilizar o trabalho e os sacrifícios econômicos assumidos por mulheres para manter uma família?
A discussão ocorre em um cenário no qual as mulheres têm assumido participação cada vez maior no sustento dos lares brasileiros. Levantamento da pesquisadora Janaína Feijó, do FGV IBRE, aponta que, no fim de 2024, elas eram a principal referência financeira em 51,7% dos domicílios do País, o equivalente a 41,3 milhões de lares. Apesar disso, a renda média feminina permanecia inferior à dos homens na mesma condição.
Idealizado em 2021, “Dividindo as Contas” nasceu da observação de situações vividas por mulheres que abriram mão de patrimônio para evitar conflitos, contrataram empréstimos em seus próprios nomes para ajudar companheiros, sustentaram famílias por meio de trabalhos informais ou acumularam a responsabilidade financeira com tarefas domésticas e de cuidado.
O filme reúne relatos de mulheres que enfrentaram dependência econômica, controle sobre o próprio dinheiro, renúncia patrimonial, endividamento e outras situações em que as finanças se tornaram parte das desigualdades existentes dentro das relações.
Além das experiências pessoais, a produção apresenta análises da pesquisadora e ativista Janira Sodré, que contextualiza aspectos históricos e sociais das relações de gênero. A doutora em Psicologia Renata Botelho também participa do documentário e aborda relacionamentos abusivos e casos de estelionato sentimental.
Ao cruzar relatos e análises de especialistas, “Dividindo as Contas” amplia a discussão sobre violência patrimonial e financeira e mostra como o controle do dinheiro, o endividamento e a administração dos recursos da família podem estabelecer relações de dependência.
Mulheres dedicam quase o dobro do tempo ao trabalho doméstico
A desigualdade abordada pelo documentário não se restringe ao dinheiro que entra na conta. Parte significativa da contribuição feminina para o funcionamento das famílias ocorre por meio de atividades que não são remuneradas.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2022, as mulheres dedicavam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas. Entre os homens, eram 11,7 horas.
Na prática, as mulheres gastavam quase dez horas a mais por semana nessas atividades. A diferença permanece mesmo diante da participação feminina no mercado de trabalho e evidencia a chamada dupla jornada.
É nesse encontro entre renda, trabalho não remunerado e reconhecimento que o documentário desenvolve uma de suas principais discussões. O filme questiona o que é considerado contribuição econômica dentro de uma família e como tarefas essenciais para a manutenção da casa permanecem fora das contas tradicionais.
Poesia costura relatos e experiências
Além de depoimentos e entrevistas, “Dividindo as Contas” utiliza a poesia como recurso narrativo. Sara e Ester Linhares assinam a criação e a interpretação dos poemas incorporados ao filme.
Os textos estabelecem conexões entre memória, experiências pessoais e os conflitos financeiros e afetivos apresentados ao longo do documentário, acrescentando uma dimensão simbólica à discussão sobre autonomia e relações de gênero.
A produção foi realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, operacionalizados pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.
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