O leilão para a concessão do terceiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a Fiol 3, pode ocorrer em agosto de 2027, segundo adiantou ao Jornal Opção o deputado federal José Nelto (UB), integrante da Comissão de Viação e Transportes da Câmara e um dos articuladores, em âmbito federal, para o avanço da implementação do projeto.

O trecho deverá ligar Correntina, na Bahia, a Mara Rosa, em Goiás, em um eixo de mais de 840 quilômetros que criará uma conexão direta com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), em Mato Grosso.

Em Goiás, a ferrovia deverá passar por municípios como Flores de Goiás, São João D’Aliança, Alto Paraíso e Niquelândia. O projeto em questão faz parte de uma malha ferroviária que amplia a integração entre regiões produtoras do Centro-Oeste e do Matopiba e os portos das regiões Norte e Nordeste.

A nova ferrovia deve reforçar, sobretudo, a capacidade de escoamento da produção agrícola e mineral da região. Estudos de demanda do governo federal apontam que cerca de 80% da movimentação prevista no corredor ferroviário será formada por granéis sólidos vegetais. A soja deverá responder por aproximadamente 46% da demanda projetada, seguida pelo milho, com 28,5%; fertilizantes, com 15,3%; e farelo de soja, com 6,2%.

Os impactos econômicos esperados pra região, inclusive, já levaram José Nelto a se reunir, no início deste mês, com o prefeito de Niquelândia, Eduardo Niqueturbão, além de empresários de Goianésia e Minaçu. No encontro, o parlamentar propôs a abertura de um entreposto em Niquelândia.

Entreposto é uma estrutura destinada ao recebimento, armazenamento, organização e distribuição de mercadorias, funcionando como ponto intermediário entre a produção e os mercados consumidores ou outros meios de transporte. Na prática, a instalação poderia viabilizar que cargas produzidas na região fossem concentradas e movimentadas com mais eficiência a partir da conexão ferroviária.

Ainda conforme Nelto, a previsão inicial é de que sejam construídos cerca de 100 quilômetros da Fiol 3 por ano. Com isso, a estimativa apresentada é de aproximadamente dez anos para a conclusão da ferrovia. O início das obras, entretanto, deve ocorrer apenas em 2028, após a realização do leilão e a definição da empresa responsável pela concessão.

À reportagem, José Nelto adiantou ainda que terá três reuniões importantes sobre o projeto após as eleições. Uma delas será no Ministério dos Transportes. Outra ocorrerá ainda neste ano na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O terceiro encontro será no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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