Paixão nacional, pão de queijo pode entrar na dieta sem virar vilão; nutricionista explica
14 agosto 2026 às 15h14

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Quentinho, crocante por fora e macio por dentro, o pão de queijo ocupa um lugar especial na alimentação de muitos brasileiros. Presente no café da manhã, no lanche da tarde e em encontros familiares, o alimento também costuma ser associado a dietas restritivas por causa do teor calórico. Para o nutricionista Herik Guimarães, da Hapvida, porém, a relação com o pão de queijo não precisa ser marcada pela culpa.
Na avaliação do especialista, a questão não é classificar o alimento como saudável ou prejudicial, mas observar a quantidade, a frequência e o contexto em que ele aparece na alimentação. O pão de queijo fornece energia, proteínas e gorduras provenientes do queijo.
“Ele não merece ser tratado como um vilão só porque é gostoso. O pão de queijo possui nutrientes. É fonte de energia, tem proteínas e gorduras do queijo”, afirma.
Para Herik, o equilíbrio deve ser analisado considerando a alimentação como um todo. Um pão de queijo acompanhado de frutas e café, por exemplo, representa uma composição diferente de uma refeição baseada em vários pães de queijo, biscoitos e bebidas açucaradas.
“Não é um alimento isolado que determina se a alimentação de uma pessoa é boa ou ruim”, explica.
Quantidade e frequência fazem diferença
O nutricionista chama atenção para o momento em que o consumo deixa de ser eventual e passa a ocupar espaço excessivo na rotina. Segundo ele, consumir repetidamente alimentos mais calóricos pode reduzir a variedade da dieta e fazer com que frutas, verduras, legumes e outras fontes de fibras, vitaminas e minerais sejam deixados de lado.
“O problema começa quando o pão de queijo começa a ocupar uma figura de repetição na alimentação. É quando a gente come por ansiedade, por automático, por falta de tempo”, afirma.
Por isso, a orientação não é eliminar o alimento, mas observar os hábitos que acompanham seu consumo. Para o especialista, uma alimentação equilibrada também precisa considerar prazer e autonomia. “Comer também é prazer”, resume.
Herik critica ainda a ideia de que cada alimento precisa ser classificado como permitido ou proibido. Na avaliação dele, transformar as refeições em uma contagem permanente de calorias pode prejudicar a relação com a comida.
“Não acho que a solução seja olhar para um pão de queijo e pensar ‘isso vai acabar com a minha dieta’. Às vezes, o que acaba com a nossa paz é justamente transformar cada mordida em uma crise existencial”, diz.
O fato de o pão de queijo poder fazer parte de uma alimentação equilibrada, no entanto, não significa que seu valor calórico deva ser ignorado. Segundo Herik, uma unidade pequena pode ter entre 60 e 90 calorias, enquanto uma porção de 100 gramas pode chegar a aproximadamente 300 ou 350 calorias, dependendo da receita e do preparo.
Por isso, quantidade e frequência continuam sendo importantes, especialmente para pessoas que precisam controlar a ingestão energética. “Não é exatamente um alimento ‘invisível’ para as calorias”, reconhece.
Ao mesmo tempo, o nutricionista afirma que a alimentação não deve ser encarada como uma forma de compensação. Comer determinado alimento não significa que a pessoa precise posteriormente “pagar” por ele com exercícios ou restrições.
“Alimentação não deveria funcionar como uma contabilidade de pecados”, afirma.
Na avaliação do especialista, o padrão alimentar ao longo do dia, a prática de atividade física, o sono e os demais hábitos de vida têm papel mais importante do que a análise isolada de um alimento.
Idade e colesterol
Outra dúvida frequente é se existe uma quantidade segura de pão de queijo de acordo com a idade ou se o alimento deve ser evitado por pessoas preocupadas com o colesterol.
Herik explica que não existe uma quantidade universal que possa ser aplicada a todas as pessoas. As necessidades nutricionais mudam conforme a idade, a rotina e as características individuais.
“Não existe idade mágica onde o organismo diga ‘hoje você pode comer pão de queijo à vontade porque seu metabolismo está de férias’. O que muda são as necessidades de cada corpo, de cada fase da vida”, afirma.
Para crianças, segundo ele, a prioridade deve ser a construção de uma alimentação variada. Entre adultos, é necessário prestar atenção especialmente à quantidade e à frequência do consumo.
O especialista também pondera que não é necessário transformar o pão de queijo em um inimigo por causa do colesterol. O que deve ser considerado é o conjunto dos hábitos alimentares.
“Uma alimentação saudável não é aquela em que nunca mais comemos aquilo que gostamos. É aquela em que conseguimos fazer boas escolhas na maior parte do tempo e ainda ter espaço para comer com prazer”, diz.
Alimento faz parte da cultura brasileira
A discussão ganha significado especial em agosto, mês em que é celebrado o Dia do Pão de Queijo, em 17 de agosto. Mais do que um alimento, o pão de queijo está associado a memórias afetivas e à cultura alimentar brasileira, especialmente em Minas Gerais e no Centro-Oeste.
Para Herik, justamente por ocupar esse espaço afetivo, o alimento não precisa ser colocado nas categorias de vilão ou mocinho.
“No fim das contas, o pão de queijo não precisa ser o vilão, muito menos o mocinho. Ele pode ser simplesmente o pão de queijo”, afirma.
A recomendação, portanto, é incluir o alimento dentro de uma rotina alimentar diversificada, observando quantidade e frequência, sem transformar o consumo em motivo de culpa.
“Talvez essa seja uma das relações mais saudáveis que podemos ter com a comida: comer, aproveitar e seguir a vida, sem precisar pedir desculpas para o nutricionista depois”, completa.
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