Doação de plasma pode ajudar em tratamento de Covid-19

Ainda experimental, esse tipo de terapêutica apresenta alguns bons resultados. Hemolabor busca doadores

Foto: Divulgação / Hemolabor

Dentre as inúmeras tentativas de se encontrar um tratamento eficaz contra a Covid-19, o plasma sanguíneo parece ter um resultado animador. As pesquisas em torno deste tipo terapêutica mostram que alguns convalescentes da doença do coronavírus apresentam melhoras, mas ainda ainda passa por comprovação.

O chamado plasma convalescente, ou seja, aquele coletado de paciente já recuperado da Covid-19 por um processo que se retira apenas aquela parte do sangue (hemácias e plaquetas retornam ao doador), é usado como um reforço aos pacientes mais graves da doença.

A ideia é que os anticorpos já produzidos pelo doador ajudem como um reforço no tratamento de pacientes mais graves. Os anticorpos “já prontos” retirados do corpo de outras pessoas ajudariam a combater a infecção em pacientes sem essas defesas. Além disso, uma só doação pode ajudar de dois a três receptadores.

Terapia parecida já foi utilizada em outras epidemias como de Sars, Mers e H1N1 apresentando bons resultados em alguns casos.

Covid-19

Em Goiânia, o banco de sangue Hemolabor busca doadores de plasma que já tiveram a Covid-19 e se recuperaram. A ideia é justamente experimentar este tipo de tratamento em doente goianos mais graves. Para isso, o laboratório orienta que o doador não tenha mais os sintomas por 14 dias, ter entre 18 e 60 anos, pesar mais de 55 kg e não ter doenças.

Sabendo disso, a jornalista Andreia Bouson se interessou. Ela e o marido contraíram Covid-19 após uma viagem para Europa. Sentiu dores de cabeça, dor no corpo, diarreia, dificuldade para respirar e cansaço. “É uma doença muito séria. Eu digo às pessoas que se puderem exagerar nas medidas de isolamento que exagerem”, diz.

Assim ela foi atrás de se doadora. Tentou uma vez. Duas vezes. Na terceira vez sem resposta, ela estranhou. “Estão atrás de doadores, mas não me chama para doar?!”, indagou. Descobriu que há restrições a mulheres.

É que mulheres que já engravidaram, tiveram filhos ou sofreram aborto, possuem anticorpos que podem dar reações nas pessoas que recebem doação.

No entanto, Andreia insistiu. Fez mais uma vez o teste para Covid-19, que deu positiva a presença de anticorpos. Realizou vários testes para ter a certeza de que não faria nenhum mal ao receptador. Conseguiu doar.

“O médico que faz o tratamento me disse que o primeiro paciente se saiu muito bem após receber meu plasma”, diz. “Fiz outra doação que vai servir para mais pessoas. Quem puder evitar pegar essa doença, faça tudo o que puder e cuide das pessoas que ama”, afirma a jornalista.

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