Do descompromisso à conquista do mundo, Bicicleta Sem Freio vira documentário

Lançado em dezembro, projeto de faculdade de alunos da PUC Goiás documenta a história do grupo contada pelos próprios integrantes

Trabalho do Bicicleta Sem Freio em pista de skate de Goiânia | Foto: Raphael Saboya

Trabalho do Bicicleta Sem Freio em pista de skate de Goiânia | Foto: Raphael Saboya

Hoje um duo goiano de arte visual, o Bicicleta Sem Freio já foi bem maior. Com número que diverge entre participantes e ex-integrantes, o grupo teve no começo de oito a 11 pessoas. Iniciado por alunos do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG), o Bicicleta Sem Freio se tornou uma das referências mundiais na ilustração de muros dentro e fora do Brasil.

Com essa história, as alunas Fernanda Meireles, Jamylle Viana, Juliana Cabral, Letícia Bastos e Verônica Motter, da faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), resolveram criar um roteiro, produzir e dirigir um documentário sobre a trajetória do Bicicleta Sem Freio e seus trabalhos de arte de rua e ilustração.

Filmado por Eliane Garcia, Felipe Vieira, Fernanda Meireles, Gustavo Xavier, Juliana Cabral, Jamylle Viana e Verônica Motter, o documentário foi editado por Marden Guimarães. O trabalho contou com apoio de Alex Almeida, que aparece na abertura andando de bicicleta, Felipe, Gustavo, Hugo de Assis e Victor Hugo Finotti.

As músicas usadas no documentário são todas da banda goiana Black Drawing Chalks, de Douglas Pereira e Victor Rocha: Famous, My Favorite Way e Leaving Home. O clipe de My Favorite Way é um trabalho do Bicicleta Sem Freio.

Mais conhecido como um trio, que tinha em sua formação Victor Rocha, Renato Reno e Douglas Pereira, integrantes e ex-participantes do Bicicleta Sem Freio contam em 20 minutos e 53 minutos parte das histórias vividas pelo grupo desde a reunião de amigos de faculdade para concluir trabalhos e exigências do currículo acadêmico.

“Vamos escolher um nome bem idiota para ninguém botar muita pressão na gente.” É o que explica no documentário Douglas, um dos integrantes que continua no Bicicleta, sobre a escolha do nome no início, quando os amigos de faculdade se reuniam em uma casa pequena no setor Vila Nova, em Goiânia.

Já Renato, que também permanece no agora duo, incialmente não foi convidado a participar do grupo. “O Renato mesmo a gente nem tinha chamado o Renato. O Renato apareceu um dia e foi ficando”, conta Douglas.

Parte da falta de seriedade inicial do Bicicleta Sem Freio pode ser verificada em como Douglas descreve sua ocupação no duo: “Oreia”. Já Renato se identifica como sócio-diretor.

Primeiros trabalhos

Capas de discos, cartazes de festivais e shows foram os primeiros trabalhos gratuitos incluídos no portfólio do Bicicleta Sem Freio. “Não teve um projeto, uma estrutura. As coisas foram acontecendo”, conta Renato no documentário.

De acordo com Victor Rocha, que fez parte do Bicicleta por mais tempo ao lado de Douglas e Renato, o início do grupo era caótico. “Um bando de homem sem camiseta, fedido, trabalhando na madrugada para terminar as coisas e conseguir ainda fazer os trabalhos de faculdade.”

O trabalho das alunas da PUC descreve a transição da ilustração no papel para as grandes figuras em muros e painéis pelo mundo. “O Bicicleta deu uma visibilidade para Goiânia como um polo de arte, de cultura”, afirma Diogo Fleury, vocalista da banda Hellbenders.

O documentário tem histórias curiosas, como a vez em que Victor precisou se arriscar quando o boom lift, uma espécie de trator com braço mecânico, que substitui os andaimes usados para pintar murais e prédios, parou de funcionar no alto.

Há também a história engraçada de como aconteceu o contrato com a Nike ou o convite para ir para a Califórnia e a polêmica criada pelo painel Tartaruga Voante pintado em uma das paredes do prédio do Centro Cultural Oscar Niemeyer em maio para o Festival Bananada.

Outro convite que Douglas relata com inesperado foi o para pintar em Venice, na Califórnia, um mural em homenagem à lutadora de MMA (artes marciais mistas) Honda Rousey, californiana que foi a primeira campeã da categoria peso-galo do UFC.

Datas

De acordo com Fernanda Meireles, umas das responsáveis pelo documentário, foi complicado estabelecer uma cronologia para contar a história do Bicicleta Sem Freio, já que os participantes do grupo tiveram dificuldade em apresentar datas de quando cada fato aconteceu desde a criação do Bicicleta.

Um documentário que marca parte da história de um dos grupos mais relevantes do Brasil, seja você defensor do trabalho do Bicicleta Sem Freio como ilustração ou arte. Serão quase 21 minutos bem gastos, mesmo que você ainda torça o nariz para tudo que o grupo fez até hoje.

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