“Distritão” vai fortalecer políticos “de carreira” e enfraquecer partidos

Para Thiago Peixoto, proposta já teve mais força no Congresso, mas ainda assim pode ser incluída na nova reforma política

Deputado federal Thiago Peixoto durante audiência | Foto: Alex Ferreira/ Agência Câmara

A ideia de criar um novo modelo para eleição proporcional, apelidado de “distritão”, acabará por fortalecer os políticos “de carreira” e enfraquecer os partidos. É como avalia o deputado federal por Goiás Thiago Peixoto (PSD) a possibilidade de mudar a maneira como são eleitos deputados e vereadores, ventilada nesta semana.

De acordo com a proposta, que pode ser apresentada já em agosto, Estados e municípios se constituirão em distritos únicos de forma a elegerem apenas os candidatos que receberem, de fato, o maior número de votos — acabando, assim, com o quociente eleitoral (que faz a proporção aos votos obtidos pelos partidos ou coligações).

Se assim fosse, nas eleições para Câmara Federal em 2014 por Goiás, por exemplo, o radialista e atual vereador por Goiânia, Jorge Kajuru (PRP), teria sido eleito com seus 106,7 mil votos no lugar de Pedro Chaves (PMDB), que obteve quase 78 mil votos (o menos bem votado eleito).

“Não tenho posição bem definida sobre o modelo, mas não acho que seja fundamental para a reforma política. Aliás, a mudança passa mais pelo eleitor do que pelo sistema em si. Não que eu ache que esteja bom como está, mas falta uma consciência maior da população e engajamento na disputa proporcional, que acaba ficando em segundo plano”, opinou.

Atualmente, há duas propostas de reforma política sendo discutidas na Câmara, uma de autoria dos senadores tucanos Aécio Neves (MG) e Ricardo Ferraço (ES), que inclusive já foi aprovada no Senado, e outra do petista Vicente Cândido (SP). A primeira tende a ser a apreciada pelos congressistas, justamente porque, para que valham para 2018, as mudanças devem ser aprovadas até no máximo um ano antes do pleito, ou seja até o final de setembro deste ano.

“Vejo que o mais provável é manter como está [sistema eleitoral], se alterar será a inclusão do ‘distritão’. Mas acho que a proposta já teve mais força. É defendida por um grande número de parlamentares sim”, completou.

Thiago Peixoto, que é titular na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania da Câmara (CCJC), reconhece que a proposta seria bem recebida pela população, pois o discurso é “mais simples”, quem recebe mais votos é que é eleito, mas alerta para um grande problema: “Não enfraquecerá somente os partidos, mas também as minorias e a representatividade, que, por vezes, se beneficiam das coligações.”

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