A corrida pelas 54 cadeiras do Senado Federal que estarão em disputa nas eleições de 2026 já mobiliza antigos ocupantes da Casa. Pelo menos 20 ex-senadores se movimentam para voltar ao Congresso Nacional, em uma eleição que promete redesenhar o equilíbrio político da Câmara Alta e influenciar diretamente a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Entre os nomes que articulam uma candidatura estão figuras conhecidas da política nacional, como Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Roseana Sarney (MDB), Gleisi Hoffmann (PT), Álvaro Dias (MDB), Marcelo Crivella (Republicanos), Benedita da Silva (PT), Eunício Oliveira (MDB) e outros ex-parlamentares que aguardam a definição das alianças estaduais.

A eleição de outubro renovará dois terços da composição do Senado. Como cada estado e o Distrito Federal elegerão dois representantes, estarão em jogo 54 das 81 vagas da Casa. Os 27 senadores eleitos em 2022 permanecerão no mandato até 2031.

Senadores também miram governos estaduais

Além da movimentação dos ex-senadores, o pleito de 2026 também deve provocar mudanças entre os atuais integrantes da Casa. Dos 27 parlamentares cujos mandatos seguem até 2031, pelo menos nove são cotados ou já demonstram interesse em disputar os governos estaduais, ampliando a renovação política que poderá ocorrer após as eleições.

O cenário reforça a tendência de uma disputa marcada pelo retorno de lideranças experientes e pela saída de parlamentares que pretendem disputar cargos no Executivo estadual.

STF retoma trabalhos com julgamentos de impacto eleitoral

O ambiente político também será influenciado pelas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma as atividades após o recesso na próxima semana.

Entre os processos aguardados está o julgamento relacionado à Lei da Ficha Limpa, que poderá esclarecer pontos sobre a aplicação das regras de inelegibilidade e afetar diretamente a situação de candidatos nas eleições de 2026. Também está prevista a análise de temas ligados à dosimetria das penas, assunto que ganhou relevância após condenações relacionadas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e que pode produzir reflexos sobre direitos políticos de investigados e condenados.

Embora os casos tratem de questões jurídicas distintas, especialistas avaliam que as decisões do STF poderão influenciar o ambiente eleitoral ao definir parâmetros para elegibilidade e para o alcance de condenações que repercutem na vida política.

Senado será peça-chave em 2027

A importância da disputa pelo Senado vai além da renovação parlamentar. A Casa possui competências exclusivas, como aprovar indicações de ministros do STF, do Procurador-Geral da República e de diretores de agências reguladoras, além de julgar processos de impeachment de autoridades e analisar propostas de emenda à Constituição.

Com o retorno de antigos senadores, a possível eleição de novos nomes e as definições que serão tomadas pelo Supremo nos próximos meses, a disputa de 2026 tende a ser uma das mais estratégicas da última década para a configuração do Congresso Nacional.

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