Está prevista para a tarde desta quarta-feira, 6, uma reunião entre representantes da Prefeitura de Goiânia e a diretoria do Jóquei Clube de Goiás, em mais uma tentativa de sanar desencontros e desacordos relacionados à posse do prédio da entidade.

Entre os argumentos da gestão do Jóquei, que devem ser levantados no encontro, está o de que o Paço estaria “depreciando” o valor da sede em quase R$ 30 milhões no processo de desapropriação que corre na Justiça.

Somando a área construída e a metragem total do imóvel, a direção do Jóquei calcula atualmente que o valor da sede gire em torno de R$ 84 milhões, enquanto o Paço Municipal, segundo a presidente do Jóquei Clube, Nívea de Paula, estima o mesmo imóvel em menos de R$ 60 milhões.

“A Prefeitura fez a avaliação de forma unilateral e depreciou mais de 26 milhões de reais. Estamos falando de um imóvel premiado internacionalmente pela sua arquitetura”, disse a presidente. Ela informou ainda ter confirmado a presença do prefeito Sandro Mabel na reunião de amanhã, que deve acontecer na própria sede do Jóquei, no Centro de Goiânia.

À reportagem, o Paço Municipal declarou que a avaliação do prédio foi feita por comitê específico do Município com base em valores de mercado e normas brasileiras regulamentadores. Ainda segundo a Prefeitura, caso haja questionamento por parte da direção do Jóquei, este precisar ser feito no âmbito do processo de desapropriação.

Desapropriação

Após a publicação de decreto da Prefeitura de Goiânia, teve início, ainda em 2025, o processo de desapropriação da sede do Jóquei Clube, dando desfecho ao que se considerava um interminável imbróglio envolvendo o acúmulo de dívidas e o abandono do espaço, que outrora foi sinônimo de status e convivência social na capital.

Em dezembro, meses depois do decreto municipal que iniciou a desapropriação, a Justiça proferiu decisão que concedeu a posse da sede do Jóquei ao Município de Goiânia. Como contrapartida, o Executivo deveria realizar o depósito de R$ 50 milhões, correspondente ao valor da indenização.

No entanto, segundo a presidente Nívea Cristina, esse depósito ainda não foi efetuado. Uma audiência de conciliação foi realizada no último dia 27 de abril, mas não houve acordo.

Em nota enviada ao Jornal Opção em abril deste ano, a Prefeitura de Goiânia declarou que “a desapropriação ocorre no contexto do completo abandono de um imóvel de reconhecida relevância para a história de Goiânia e busca assegurar sua preservação em favor da memória, da cultura e da requalificação urbana da região central”.

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