Nesta terça-feira, 21, o Governo de Goiás entrega a Ordem do Mérito Anhanguera — a maior honraria do Estado — a Telma Woerle e Anderson Soares, fundadores e diretores do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG). O prêmio chega em um momento simbólico: o centro acaba de se consolidar como o maior polo de pesquisas em IA de toda a América Latina, projetando o Estado no cenário global de inovação.

O CEIA nasceu há apenas seis anos, mas seu crescimento foi impressionante. Hoje, conta com mais de 1,1 mil pesquisadores e cerca de 90 projetos ativos aplicando inteligência artificial no dia a dia da saúde, educação, agronegócio, indústria e gestão pública. Esse movimento se conecta diretamente à estratégia de transformar Goiás em um hub tecnológico de referência, impulsionado por iniciativas como o novo Distrito de Inovação e Inteligência Artificial.

Uma conquista coletiva

Em entrevista ao Jornal Opção, os fundadores fizeram questão de enfatizar que a homenagem não pertence apenas a eles, mas a todos que ajudaram a erguer essa estrutura.”A Ordem do Mérito Anhanguera é um reconhecimento que nos emociona, pois reflete um esforço construído a muitas mãos. Essa honraria é de cada pesquisador, estudante, parceiro, empresa e gestor público que acreditou que a inteligência artificial poderia, sim, transformar a nossa sociedade”, destacam Telma e Anderson.

Para eles, a condecoração marca um divisor de águas na forma como o país e o mundo enxergam a ciência feita no Centro-Oeste:

“Goiás deixou de ser apenas um espectador para se tornar um ambiente respeitado no Brasil e no exterior — capaz de produzir pesquisa de ponta, formar grandes talentos e transformar conhecimento teórico em soluções reais para o mercado e para a vida das pessoas.”

Como Goiás entrou no mapa global da tecnologia

Há pouco tempo, a ideia de que Goiás pudesse disputar espaço com os maiores polos tecnológicos do Brasil parecia distante. Mudar esse cenário exigiu uma combinação certeira de investimento contínuo, visão estratégica e união entre academia, setor privado e poder público.

“O ponto de partida foi apostar alto na pesquisa e na capacitação de pessoas qualificadas dentro da UFG. Em seguida, buscamos parcerias estratégicas com o mercado e com instituições do mundo todo. Soma-se a isso a visão do governo estadual de tratar a inovação como uma política pública séria. O resultado é o que vemos hoje: um ecossistema maduro e totalmente integrado”, explicam os pesquisadores.

Ciência que gera valor e empregos

Além do impacto acadêmico, o CEIA tornou-se um grande motor de desenvolvimento econômico local, atraindo gigantes globais da tecnologia e fomentando a chamada economia do conhecimento.

“Reunimos mais de mil mentes brilhantes trabalhando em frentes cruciais para o desenvolvimento do país. Esse ambiente não traz só avanço científico: ele atrai investimentos, cria empregos de alta qualificação e estimula o surgimento de novas deep techs e startups de base tecnológica”, pontuam os fundadores.

Reter talentos: o papel do novo Distrito de Inovação

A criação do Distrito de Inovação e Inteligência Artificial promete dar ainda mais tração a esse ecossistema. A meta é criar pontes diretas entre universidades, empreendedores e investidores, garantindo que os novos talentos formados na região escolham construir suas carreiras no próprio Estado.

“O Distrito dá acesso a infraestrutura de ponta e mentorias para startups, estimula a pesquisa multidisciplinar e abre portas reais de estágios, projetos e empreendedorismo para os estudantes. Queremos criar as condições ideais para que nossos talentos não precisem sair de Goiás para alcançar o topo de suas carreiras.”

O próximo passo: figurar entre os líderes mundiais

Diante da corrida global pela liderança na era da IA, o desafio agora é manter o ritmo e expandir a capacidade científica do Estado nos próximos dez anos.

“É uma meta perfeitamente alcançável. Goiás já provou que tem maturidade para competir em alto nível e atrair projetos estratégicos globais. O caminho é continuar investindo em pessoas, fortalecer a infraestrutura tecnológica e garantir que ciência, empreendedorismo e políticas públicas sigam caminhando lado a lado”, concluem Telma e Anderson.

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