Professor diz que candidatos devem revisar conteúdos e se antenar com jornais na véspera do Enem. “Aulão não resolve nada”

Comer durante a prova e ir ao banheiro com frequência também são atitudes desaconselhadas pelo profissional

Foto: Marcos Santos / USP Imagens / Fotos Públicas

Foto: Marcos Santos / USP Imagens / Fotos Públicas

Com cada vez mais importância na hora de definir o futuro acadêmico dos estudantes, o Enem precisa ser levado a sério por aqueles com interesse em ingressar em uma faculdade. Por isso, além das horas de estudo e dedicação, algumas dicas são essenciais para obter o melhor resultado possível no exame.

O professor Marcos Araújo, diretor do Protágoras, recomenda que os candidatos comecem a prova pelas matérias que mais dominam. “Quem quiser fazer uma prova para Medicina tem que priorizar o caderna de ciências da natureza. O da área de humanas, faz primeira o caderno de humanidades”, exemplificou. Ele ressalta que, como cada pergunta demanda em média três minutos para ser respondida, essa dica é valiosa, já que cada caderno tem um peso diferente na nota de acordo com o curso selecionado pelo estudante.

Para o professor, os famosos aulões que antecedem os dias das provas são de pouca utilidade. O que funciona, de fato, são as horas dedicadas à revisão do material já estudado. “Não tem aula mágica. Aulão não resolve nada”, atesta. Comer durante a prova e ir ao banheiro com frequência também são atitudes desaconselhadas pelo diretor.

Marcos reitera a importância de se levar a sério a prova, pois a dificuldade dela vem aumentando com o passar do tempo. “O Enem agora é ainda mais importante do que há uns quatro, cinco anos, visto que agora é o vestibular de algumas faculdades”, diz. “O início do Enem em 1998 era uma prova a nível de sondagem, era mais fácil, testava a capacidade de leitura. Agora é uma prova do mesmo nível das melhores universidades do país. Não é mais fácil que a UFG, valorizando a leitura e a interpretação.”

Segundo ele, o novo esquema do exame, com perguntas mais difíceis, dividido em dois dias e substituindo vestibulares em diversas instituições, tem suas vantagens e desvantagens. O primeiro ponto positivo que ele cita é a possibilidade de que um candidato possa fazer a prova em qualquer local e concorrer a vagas em todo o país.

No entanto, aponta o diretor, o exame único desvaloriza a cultura local. “Fica difícil colocar questões relativas a Goiás para prova do Brasil inteiro. Não tem como colocar regiões específicas de cada localidade.”

Outro empecilho é que o sistema pode forçar um aluno a ingressar em um curso que não é o seu preferencial por não conseguir as médias necessárias para o ingresso. “Ele quer Medicina e acaba fazendo Engenharia. Com a nota do Enem ele concorre para várias universidades, mas não consegue o curso que queria. Isso pode atrapalhar a vocação dele.”

Por isso, para se sair bem em uma prova tão decisiva quanto o Enem, Marcos dá as dicas finais: “Jovem gosta de sair, de beber, mas hoje não é dia para isso. Tem que revisar, dar uma olhada no conteúdo, ver dicas, resumos”, conta. “O candidato tem que estar bem preparado, com segurança, tranquilo e também estar antenado com os jornais”, conclui.

*Colaborou Sarah Teófilo

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