A cibersegurança tem se tornado uma preocupação cada vez mais intensa. A possibilidade real de roubarem seus dados, acessarem sua câmera, localização e outras funções do celular pode trazer consequências graves para sua vida financeira, pessoal e profissional. É preciso estar sempre alerta às mudanças tecnológicas e às boas práticas para não se expor a riscos desnecessários.

Para reunir dicas de cibersegurança, o Jornal Opção entrevistou o especialista no assunto Victor Volcov, proprietário da empresa RTS Technology do Brasil. Ele conta que se interessou pela manutenção e montagem de computadores aos 13 anos e que, com o tempo, adquiriu habilidades na área de segurança, como configuração de firewalls, construindo assim sua carreira.

Principais demandas e boas práticas de cibersegurança

A empresa de Victor atende atualmente outras empresas e, segundo ele, as demandas envolvem “toda uma frente de trabalhos que vão desde serviços de infraestrutura de redes, como cabeamento estruturado, CFTV, suporte técnico e consultorias de rede”, além da área ofensiva, que engloba análise de vulnerabilidades, testes de intrusão e governança.

Victor Volcov. Foto: Acervo Pessoal

O especialista explica que o básico em cibersegurança precisa ser bem feito. “A ideia é que você tenha o dispositivo atualizado na versão mais estável, assim como a adoção de um antivírus e, obviamente, evitar acessar links e sites suspeitos enviados por spam. Também não acessar conteúdos ilícitos por meio desses dispositivos”, afirma.

Em relação às permissões dos aplicativos utilizados no dia a dia, ele recomenda: “É importante ler os regulamentos antes de seguir com a instalação, algo que quase ninguém faz. Você precisa avaliar se, de fato, necessita daquele aplicativo”. Victor também destaca a importância de utilizar a autenticação em dois fatores como estratégia de prevenção.

Para quem já percebeu que foi hackeado, Victor orienta: “A primeira medida é a troca de senhas de redes sociais e de serviços bancários, principalmente. Depois, registrar um boletim de ocorrência e proceder com a limpeza do dispositivo, com a reinstalação do sistema operacional. Por fim, procurar ajuda especializada”.

Monitoramento constante

Há comportamentos de sistemas e dispositivos que podem indicar que você já foi — ou está sendo — alvo de invasão. Confira alguns sinais de alerta:

No celular:

  • Bateria e aquecimento: consumo excessivo de bateria e aparelho esquentando sem uso aparente podem indicar processos maliciosos em segundo plano.
  • Consumo de dados: aumento repentino no uso de internet sem que o usuário tenha feito downloads relevantes.

No computador:

  • Lentidão inexplicável: o processador operando próximo do limite mesmo com poucas janelas abertas.
  • Comportamento da webcam: a luz da câmera acende sozinha, sem que aplicativos de vídeo estejam em uso.

Em contas e redes sociais:

  • Logins desconhecidos: acessos registrados em locais ou dispositivos que não pertencem ao usuário (é recomendável verificar a seção “dispositivos conectados”).
  • Mensagens fantasmas: contatos recebem links ou mensagens que o usuário não enviou.
  • E-mails de recuperação: recebimento de códigos para redefinição de senha sem solicitação prévia.

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