Dia da Mentira: Como fake news podem influenciar no resultado das eleições

Especialista diz que mesmo com a existência da Lei das Fake News, a medida não é o suficiente para impedir a propagação de mentiras e desinformação

Nesta sexta-feira, 1, é celebrado o dia da mentira. Essa data, mesmo que em tom de brincadeira possa fazer com que muita gente caia em pegadinha, é propícia para abordar um assunto sério e que pode ser encarado como crime, como é o caso das fake news.

Por ser ano eleitoral, o advogado Serio Vieira ressalta que as fake news merecem ser debatidas. Segundo ele, há quatro anos as mentiras contadas como verdades influenciaram no resultado das eleições, sobretudo pelo fortalecimento das redes sociais. De acordo com o advogado, a melhor forma de combater a desinformação é pelas mãos dos usuários, a partir da checagem dos fatos antes do compartilhamento. “Na dúvida, não compartilhe”.

O advogado explica que hoje em dia há várias formas de desconfiar de notícias, dentre elas, notícias sensacionalistas, erros de português e data de publicação, caso sejam antigas. A melhor maneira de checar os fatos, é uma pesquisa “por fora” em buscadores, como o Google e verificar se outros sites confiáveis replicaram aquela informação. “Não basta uma lei se não houver ações efetivas no dia a dia e denúncias”, explica Vieira.

Legislação

A Lei Federal n°13.834/19, prevê pena de dois a oito anos de prisão, além de multa, para quem fizer denúncia falsa com finalidade eleitoral, ou seja,  pune apenas fake news relacionadas às eleições, dessa forma, todas as outras notícias com desinformações ficam à mercê.

As notícias falsas podem aparecer em diversos espaços virtuais, como áudios do WhatsApp com supostas denúncias, fotos manipuladas ou fora de contexto, textos inverídicos sob o formato de notícias e várias outras formas de difundir mentiras. Com a pandemia do coronavírus, a onda de desinformação cresceu em todo o mundo. Em 2020, quantas vezes você recebeu a notícia de que o vírus  havia surgido em morcegos? Ou então, com a chegada das vacinas, que seria inserido um chip no corpo coma a aplicação da dose? Ou, mais ainda, que os termômetros poderiam causar danos no cérebro? Nas eleições, o problema pode se agravar. “Com a pandemia, a campanha eleitoral tende a ser ainda mais virtual, o que contribui para a propagação de notícias falsas e a desinformação. Lamentavelmente, não evoluímos muito no combate às fake news desde a última eleição em 2018”, afirma.

O problema das fake news não é apenas do Brasil. Segundo o advogado, as notícias falsas fazem parte de táticas eficientes de candidatos menos preparados ou com valores mais duvidosos, mesmo sendo antiéticas. “Um grande componente da retórica política nacional vem sendo a desinformação. As fake news têm tido um papel muito importante nas campanhas eleitorais, pois os candidatos as utilizam para atacar, diminuir e desqualificar aqueles que consideram seus adversários. Algumas vezes também são utilizadas para propagar supostas vantagens e pontos positivos de seu programa político”, alerta Sergio Vieira.

Como saber se a informação é segura?

É importante checar as informações em outros veículos confiáveis, como portais governamentais ou sites que se especializaram em checagem de notícias. Diversos veículos de imprensa vêm combatendo fake news e criaram seções específicas sobre o tema, que se tornaram locais confiáveis para saber se a informação é verdadeira ou falsa. “O eleitor que suspeitar de alguma fake news relacionada à campanha eleitoral, em qualquer lugar do país, pode fazer a denúncia às autoridades”, destaca. Os canais que recebem estas denúncias são o Pardal, aplicativo do tribunal Superior Eleitoral,  o Ministério Público Eleitoral (MPE) e as Ouvidorias da Justiça Eleitoral.

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