Desvios no Mutirama e zoológico tinham destino político-partidário, revela MP

Investigações apontam para enriquecimento pessoal dos envolvidos, mas dinheiro também abasteceu partidos na capital

Gaeco | Foto: Bruna Aidar

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP-GO (Gaeco) detalhou, durante coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (23/5), como atuava a organização criminosa instalada na Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer de Goiânia (Agetul), especializada no desvio de dinheiro advindo da venda de ingressos nos parques Mutirama e zoológico.

Segundo os promotores, a investigação constatou que o esquema envolvia desde integrantes do alto escalão municipal até funcionários com cargos mais comuns, como bilheteiros e catraqueiros — todos indicados por políticos para o funcionamento da organização criminosa.

Na manhã desta terça (23), foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária, cinco mandados de condução coercitiva e 12 mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo. Todos foram levados ao MP-GO, onde prestaram depoimento.

Durante a coletiva, o promotor Ramiro Carpenedo explicou que, como o pagamento dos ingressos do Mutirama e do zoológico é feito em dinheiro em espécie, o rastreamento do montante real arrecadado por final de semana era complexo e isso facilitou a manutenção do esquema há pelo menos quatro gestões da pasta.

Ingressos do Mutirama | Foto: Bruna Aidar

De acordo com ele, os desvios funcionavam de duas maneiras principais: quando o ingresso, que é feito de papel, vendido não era danificado pelo visitante, os funcionários o recolhiam e vendiam novamente. Assim, o dinheiro proveniente do caixa 2 ficava com a quadrilha.

Por outro lado, quando o ingresso era rasgado ou rasurado, os suspeitos usavam gráficas para fazer a duplicata, que voltava para os caixas do zoológico e do Mutirama. Para se ter ideia, em um único final de semana, o MP-GO conseguiu identificar prejuízo de mais de R$ 60 mil aos cofres públicos.

Questionado sobre a destinação dos recursos provenientes do esquema de corrupção na Agetul, Carpenedo explicou que as investigações apontaram para três destinações: “Servia para enriquecimento pessoal, repartição entre os comandantes e também tinha destinação político-partidária”.

Os promotores ressaltaram que não poderiam dar mais informações porque uma nova fase da operação será deflagrada em breve. Segundo eles, as suspeitas iniciais foram confirmadas após as oitivas dos alvos da primeira fase e serão pedidas prisões temporárias.

 

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