Deputados questionam impeachment após afastamento de Eduardo Cunha

Parlamentares argumentaram que métodos de intimidação e retaliação, apontados em pedido da PGE, foram adotados também na aceitação do processo contra Dilma

| Fotos: Nilson Bastian e Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

Jandira Feghali, Chico Lopes e Daniel Almeida elogiaram liminar e questionaram legitimidade do processo contra Dilma | Fotos: Nilson Bastian e Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados

Na manhã desta quinta-feira (5/5), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do seu mandato de deputado federal e, consequentemente, do cargo de presidente da Câmara dos Deputados. A notícia repercutiu na Casa e muitos parlamentares, além de comemorarem a liminar, aproveitaram para questionar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Parlamentares do grupo governista, principalmente os do PCdoB, subiram à tribuna para argumentar que o processo deveria ser anulado por ter sido conduzido por Eduardo Cunha (PMDB) e seus aliados. “O processo contra a presidenta Dilma deveria ser nulo, porque foi conduzido por pessoas suspeitas”, afirmou Jandira Feghali (PDdoB-RJ).

No pedido acatado pelo ministro Teori Zavaski, assinado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Cunha é acusado de intimidar adversários e de manipular votações e investigações, o que foi lembrado pelo deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE). Para ele, inclusive, a liminar foi tardia. “Não é possível que um cidadão, investigado, consiga manipular até mesmo as comissões, que são uma questão dos partidos.”

Os métodos de Cunha, que segundo a acusação da Procuradoria-geral, incluem intimidação, chantagem e retaliação, teriam sido usados, segundo o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) inclusive no pedido de impeachment. Para o parlamentar, o processo contra a presidente foi uma chantagem. A tese foi muito levantada quando Cunha aceitou o pedido, em dezembro do ano passado, logo após o processo contra ele que corre na Comissão de Ética da Câmara ter sido aceito com apoio dos três deputados do PT que integravam o comitê.

Por outro lado, o deputado Benjamim Maranhão (SD-PB) criticou a tentativa de vincular a conduta de Cunha com o processo de impeachment. Para ele, são questões diversas. “Existe uma tentativa de ligar essa decisão de hoje com a decisão de afastar a presidente Dilma Rousseff. Mas o que ocorreu foi que cumprimos a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal”, argumentou (Com informações da Câmara dos Deputados).

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