Deputados do PMDB divergem sobre apoio a impeachment de Dilma Rousseff

Sobre aliança para prefeitura, no entanto, discurso é um só: partido lançará candidatura própria e provavelmente só fará aliança com PT em segundo turno

| Fotos: Y. Maeda e Marcos Kennedy/ Assembleia

Apesar de José Nelto afirmar existir unidade no PMDB quanto ao impeachment, Bruno Peixoto e Renato de Castro lembram que PMDB é muito grande e membros têm várias orientações | Fotos: Y. Maeda e Marcos Kennedy/Assembleia

Neste sábado (12/3), na sua Convenção Nacional, o PMDB decidirá se permanece ou se deixa a base aliada de Dilma Rousseff (PT). Depois que o partido anunciou que se uniria ao PSDB “para salvar o país”, acredita-se que o principal parceiro do governo federal possa deixar a aliança de lado, entregar os ministérios e apoiar a saída de Dilma.

Na verdade, não há conformidade plena dentro dos dois partidos quanto à aliança desde que ela foi firmada. Nacionalmente, por exemplo, apesar de dois dos maiores nomes da legenda, o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros, defenderem a continuidade, outra figura de destaque do PMDB, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é contra o governo federal.

Em Goiânia, já é praticamente certo que os dois partidos romperão a parceria. Apesar de, nos bastidores, a informação ser de que o prefeito Paulo Garcia (PT) ainda tenta uma aliança, as legendas muito dificilmente abrirão mão de candidatura própria, embora ainda não se posicionem claramente sobre um possível segundo turno.

Na Assembleia, os comentários dos deputados demonstram essa duplicidade de interpretações que pode ser percebida dentro dos partidos. No PMDB, por exemplo, o discurso não é comum aos parlamentares.

Para José Nelto, é urgente que a sigla deixe a base aliada, entregue os ministérios e apoie abertamente o impeachment da presidente. Em entrevista ao Jornal Opção, ele defendeu que o partido atue na criação de outro governo: “O PMDB precisa ajudar na formação de um novo governo, um governo de salvação nacional”.

“Do jeito que tá, não pode ficar. A crise é grande, não vejo solução com a Dilma”, argumentou. “Ela hoje é um banco que está quebrando e esse banco prejudica todos os seus clientes. Então, ela hoje prejudica o Brasil”, defendeu ele.

Segundo José Nelto, o apoio ao impeachment é a postura oficial do PMDB estadual, comandado pelo deputado federal Daniel Vilela. Mesmo com Daniel sendo ligado, assim como seu pai, Maguito, à presidente. No entanto, alguns de seus colegas não confirmam esta orientação. Bruno Peixoto, por exemplo, afirmou que não há uma crença majoritária na destituição da presidente.

“O PMDB é o maior partido do Brasil, então temos várias teses, identidades e ideologias dentro do nosso partido”, colocou ele. Segundo Peixoto, apenas quando houver uma definição de qual é a orientação com maior número de adeptos é que o PMDB tomará uma decisão: “Vamos tentar que a tese que tenha mais adeptos vença: será a que todo o PMDB irá acompanhar”.

Questionado se apoiaria a presidente Dilma, Bruno Peixoto preferiu não se posicionar. “Não estou dizendo que apoio este ou aquele governo, eu apoio o Brasil”, disse ele. “Defendo aquilo que é melhor para os brasileiros”, esquivou-se. Sem defender abertamente o impeachment, ele apenas afirmou :”Uma coisa eu digo: o Brasil não suporta esta crise”.

Em Goiânia, no entanto, Bruno foi claro: o PMDB lançará Iris Rezende para a prefeitura e não abrirá mão de candidatura própria para ser vice do PT. Ele não disse que seu partido estaria decidido quanto à romper com a legenda, mas afirmou que os peemedebistas conversam com diversas outras legendas.

Já Renato de Castro, que saiu justamente do PT para se filiar ao PMDB, adota uma postura menos dura quanto à antiga sigla. Para ele, a aliança na prefeitura dificilmente continuará, principalmente em um primeiro turno. Entretanto, Renato diz que tampouco percebe uma unidade de posicionamentos dos peemedebistas em favor do impeachment.

Ressaltando as diferenças do PMDB nacional para o goiano, Renato afirmou não ver ” Uma voz uníssona em prol do impeachment da presidente”. “O que a gente vê são posicionamentos. Uns são a favor, outros contra. O PMDB é um partido muito grande e existem muitas cabeças, cada uma pensando de uma maneira’, sustentou.

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