Deputado goiano propõe classificação etária para mostras de arte

Após polêmica envolvendo exposições e crianças, presidente da Comissão de Cultura critica polarização e pede bom senso

Thiago Peixoto e o ministro Sérgio Leitão Sá | Foto: Vinícius Loures

O deputado federal Thiago Peixoto (PSD-GO) defendeu, nesta segunda-feira (23/10), a adoção de classificação indicativa de idade para acesso a locais de espetáculos com o intuito de minimizar polêmicas como as relacionadas com recentes exposições artísticas no Brasil.

Para o parlamentar, que é presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, o tensionamento do debate não resolve em nada o problema. Ele cobra bom senso dos lados envolvidos na questão.

O próprio Ministério da Cultura (MinC) concorda com a posição do goiano e dá indicativos de que pretende incentivar a classificação etária de mostras no Brasil, conforme já ocorre no cinema e na televisão e em exposições, museus e teatros no exterior.

No último fim de semana, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) colocou classificação mínima de 18 anos para a mostra História da Sexualidade.

O deputado lembrou que as exposições no Rio Grande do Sul e em São Paulo, que foram muito contestadas principalmente por conta da presença de crianças, seja como personagens ou plateia, está rivalizando dois polos opostos: “De um, o discurso sobre a liberdade do artista. De outro, alegações sobre ameaças morais que podem trazer determinadas expressões de arte.”

Para Thiago Peixoto, nenhum dos dois lados está completamente correto em sua posição. “Não há necessidade de antagonismos nesse caso. Por um lado, é fundamental fazer a defesa de toda forma de Cultura, sem censura e sem repressão. Por outro, é importante ser contrário a qualquer tipo de exposição de obras inapropriadas a crianças ou jovens. Uma posição não exclui a outra. Combinar os dois pontos é possível”, opina.

Segundo ele, a sintonia entre os dois lados aparentemente opostos tem, inclusive, previsão legal? “A Constituição garante a liberdade de expressão artística. Já quanto à presença de crianças em situações que muitos consideram ofensivas, o Estatuto da Criança e do Adolescente preserva-os de ameaças à sua dignidade. Ou seja, existe lei prevista para defesa de ambos os lados. E nenhum pode se sobrepor.”

O parlamentar clama pela busca de um caminho que leve a alguma solução e propõe a adoção de classificação indicativa. “Não seria mais fácil, por exemplo, criar classificações indicativas para as apresentações, como ocorre em grandes museus do mundo e nos cinemas? Não seria mais prático incluir identificação prévia do perfil daquela apresentação? Tudo bem que a arte é perturbadora por natureza, mas, talvez, o melhor a ser feito, é que determinados tipos de apresentação sejam direcionados para públicos e locais adequados às suas características”, afirma.

Por fim, o presidente da Comissão de Cultura pede ponderação dos dois lados. “Não se deve colocar mais lenha no fogo. Com a polarização enraivecida, a cegueira prevalece. Esse deve ser um debate sem lado e sem paixões. Afinal, cada parte tem suas razões. A liberdade artística não pode ser ameaçada, mas as pessoas sempre têm o direito de se sentir incomodadas, é claro. Mas sempre há a opção de cada um assistir ou não qualquer espetáculo que seja”, arremata.

Audiência

Na semana passada, a Câmara dos Deputados recebeu o ministro Sérgio Sá Leitão, da Cultura, para tratar justamente sobre o assunto. Houve uma tentativa clara de vários parlamentares em direcionar para a criminalização da Cultura.

Na oportunidade, Thiago Peixoto defendeu a classificação indicativa e a busca do bom senso. Não adiantou, no final o ministro foi atacado de forma pessoal por um parlamentar que se referiu de forma depreciativa à falecida mãe do ministro. Thiago Peixoto chegou a publicar um vídeo de apoio ao ministro em suas redes sociais, reforçando a postura objetiva e centrada.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.