Deputado goiano defende reforma no ensino médio, mas cobra discussão do tema

Para Fabio Sousa, Congresso precisa ouvir profissionais da área antes de aprovar mudança que exclui obrigatoriedade de disciplinas e muda estrutura da educação

Fábio Sousa na Câmara Federal | Foto: Zeca Ribeiro/ Agência Câmara

“Reforma é importante e urgente”, defendeu ele | Foto: Zeca Ribeiro/ Agência Câmara

Alvo de muita polêmica desde que foi anunciada, na última quinta-feira (22/9), a medida provisória que altera o Ensino Médio no Brasil já chegou ao Congresso Nacional, onde será debatida e submetida à aprovação em até 120 dias. Para o deputado federal Fabio Sousa (PSDB), esta fase é fundamental para garantir que a novidade realmente vá melhorar a qualidade do ensino.

Defendendo a medida, Fabio ressaltou que ela é necessária, mas que não pode ser feita sem que o Congresso convoque profissionais da área para discutir seus termos com profundidade. “A reforma é importante e urgente e o Ministério da Educação está dizendo que eles têm comprovação de que vai melhorar. Agora o Congresso vai ter que nomear um relator, vai ter que chamar pessoas especializadas, que atuam na área”, destacou ele.

“Pelo que eu estava vendo, um dos sentidos dessa reforma é acabar com a evasão escolar e diminuir a repetência, então é uma boa iniciativa”, defendeu. “A verdade é que o Ensino Médio precisava de uma reformulação, a maioria das nações desenvolvidas têm um sistema diferente. Quem segue carreira em humanas não tem muitos conhecimentos de exatas, e vice-versa, a gente acaba cursando algumas matérias só para passar de ano”, pontuou ele.

Ressaltando a necessidade de uma formação básica, em português, matemática e ciências, Fabio defendeu ainda a discussão sobre a obrigatoriedade de matérias como filosofia e sociologia: “Eu gosto muito dessas matérias, mas eu não sei até que ponto elas são essenciais para a formação do ensino médio, para a profissionalização”.

A retirada de artes e educação física da lista de obrigatórias, para ele, não fará muita diferença na prática, já que elas não são tão compulsórias atualmente. “Artes já faz muito tempo que não tem, educação física há tempo o aluno pode ser dispensado porque faz uma atividade fora da escola”.

Já o ensino profissionalizante, aponta, é fundamental. “Isso é importantissimo, ainda mais, por exemplo, para a questão rural, você poder levar esses cursos técnicos pra cidade pequena”. “Num país que a gente vive que precisa de renda, produtividade, é necessário”.

Outra preocupação manifestada pelo deputado é quanto aos alunos que se arrependerem da escolha que fizerem. Pelo novo modelo, os estudantes terão como escolher entre cinco áreas para se aprofundarem: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

“A maior preocupação com essa matéria, pelas informações que eu tenho pela mídia, é com relação aos alunos que voltarem atrás na sua opção. É comum, e muitas vezes acontece, da pessoa entrar na faculdade e depois muda de área”, lembra ele. “Mas, se ela mudar a área de estudo, ela vai ter que voltar pro segundo grau?”, questiona. “Isso tem que ser discutido”.

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