Delegacia de Investigações de Homicídios conclui inquérito sobre o caso de Cadu

Thiago Damasceno informou que ele responderá por tentativa de latrocínio e latrocínio consumado. Ricardo Pimenta Andrade Junior, suspeito de ser comparsa nos crimes, responderá por receptação de veículos

Foto: Reprodução/ Folha de São Paulo

Foto: Reprodução/ Folha de S. Paulo

O titular da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), Thiago Damasceno, informou nesta quarta-feira (10/9) que o inquérito do caso de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, está finalizado. O jovem vai ser indiciado por tentativa de latrocínio e latrocínio consumado. Ele é o assassino confesso do cartunista Glauco e de seu filho Raoni, mortos em 2010.

Cadu é suspeito de envolvimento no latrocínio de Mateus Morais Pinheiro, de 21 anos, no dia 31 de agosto, e na tentativa de latrocínio do agente prisional Marcos Vinícius Lemes D’Abadia que ocorreu no último dia 28, ambos no Setor Bueno, região nobre da capital. O agente prisional segue internado em estado grave no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, Ricardo Pimenta Andrade Junior, suspeito de ser comparsa de Cadu nos crimes, responderá por receptação dos veículos City, roubado no dia 9 de Agosto, e do Civic, roubado de  Matheus. “Thiago Dasmaceno disse que não encontrou elementos para vincular Ricardo Pimenta diretamente nas execuções dos crimes de latrocínio tentado e do latrocínio. Restou provado que ele apenas auxiliou Cadu na condução do Civic da vítima Matheus.”

Em entrevista na manhã do dia 3, o delegado informou que duas testemunhas apontaram que Cadu está diretamente envolvido na tentativa de latrocínio do agente prisional. “Segundo as testemunhas, Cadu abordou e efetuou os disparos contra Marcos Vinícius. Além disso, temos filmagens e elementos que comprovam a ação criminosa e sua participação”, disse.

No mesmo dia, o juiz Gustavo Dalul Faria, da 5ª Vara Criminal de Goiânia, converteu a prisão em flagrante de Cadu em prisão preventiva. Conforme nota divulgada pela assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), a decisão se baseou nos indícios da materialidade e da autoria dos crimes por parte de Cadu. Além disso, segundo entendimento judicial, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública.

“A prova da existência do crime está consubstanciada nos depoimentos dos autos do flagrante delito, precipuamente pelo depoimento das testemunhas e condutores do autuado. A autoria se afigura robustecida, já que houve o reconhecimento por testemunhas como sendo o autuado quem efetuou a subtração dos bens e efetuou os disparos que levaram a vítima à morte”, explica o magistrado na decisão.

Um vídeo reproduzido pelo programa dominical Fantástico, da Rede Globo, no último dia 7, mostra parte do depoimento de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, sobre o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas. No vídeo, gravado há quatro anos e seis meses, ele afirma que não seria preso nunca mais. “Eu nunca mais vou ser preso, dando dor de cabeça para o delegado, dando dor de cabeça para minha família”, diz Cadu em gravação.

Caso do Cartunista Glauco

Glauco e seu filho foram mortos em Osasco (SP), em março de 2010. Na ocasião dos homicídios, Cadu estava sob efeito de haxixe, maconha e também da mistura de plantas que dá origem à bebida utilizada em rituais do Santo Daime, do qual as vítimas e ele faziam parte. Após ser reconhecido pela esposa de Glauco, testemunha do ocorrido, Cadu confessou o crime.

Declarado inimputável pela Justiça em 2011, ou seja, incapaz de responder criminalmente pelos seus atos, o acusado ficou inicialmente em um complexo médico penal no Paraná, sendo transferido, no ano seguinte, para Goiânia.

Em setembro do ano passado, a Justiça de Goiás decidiu que Carlos Eduardo poderia sair da clínica psiquiátrica onde estava internado e voltar para a casa de seus pais. Conforme decisão judicial da época, Cadu, que tem esquizofrenia, estaria apto a passar para o tratamento ambulatorial.

Segundo a juíza Telma Aparecida Alves Marques, da 1ª Vara de Execução Penal (VEP) de Goiânia, os laudos apresentados à Justiça atestavam que ele não oferecia riscos. De acordo com ela, que foi a responsável pela expedição da ordem de soltura, foram feitos vários laudos sobre o caso de Cadu, inclusive pela junta médica do TJGO e, todo mês, é apresentado um relatório. “Cadu vai mensalmente ao psiquiatra e ao psicólogo, que enviam um relatório. Inclusive, o último que eu tenho é de julho, e atestou que ele sofre esquizofrenia. Ninguém pode dizer que nenhum dos senhores estão livres de cometer qualquer delito. Isso não tem como atestar. Porém, os laudos apresentados atestaram que ele não oferecia risco e foi com base neles que eu o coloquei em liberdade”, enfatizou.

Por fim, ela apontou que o caso de Cadu foi uma exceção entre os pacientes que atualmente cumprem medida de segurança. De 306 nessa condição, apenas dois reincidiram. “A reincidência por medida de segurança é mínima em relação a reincidência de quem sai do fechado para o semiaberto”, destacou.

 

Uma resposta para “Delegacia de Investigações de Homicídios conclui inquérito sobre o caso de Cadu”

  1. Céu D'Ellia disse:

    De onde o jornalista tirou a afirmação de que no assassinato de Glauco e seu filho, o assassino estava sob efeito do Daime?

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