Decisão de apoio brasileiro a Juan Guaidó pode ser um risco, avalia especialista

Para cientista político, resguardar a vida dos brasileiros que moram na Venezuela e seguir um protocolo mais diplomático deveria ser a estratégia

Foto: reprodução

O posicionamento do governo brasileiro em reconhecer Juan Guaidó, líder da oposição contra Nicolas Maduro, como novo presidente interino da Venezuela, pode significar risco ao histórico da diplomacia brasileira. É o que explica o cientista político Guilherme Carvalho. Para o especialista, o ideal, no momento, seria buscar intermediar as negociações.

A repercussão acontece após os protestos realizados nesta quarta-feira, 23, em toda a Venezuela, em sua maioria movimentos que pedem a derrubada de Maduro, Guaidó, líder da oposição, se declarou presidente interino do país. Após a declaração, governos ao redor do mundo se dividiram entre apoiadores de Maduro e de Guaidó.

O  governo estadunidense foi o primeiro a divulgar nota de apoio à derrubada do atual presidente. Seguindo os mesmos passos, o governo brasileiro também declarou apoio à oposição venezuelana. Para Guilherme, a decisão é equivocada e coloca o Brasil em posição arriscada.

“A diplomacia brasileira tem esse histórico de intermédio entre partes. Até agora o Itamaraty tem prestado um desserviço, inclusive arriscando a vida do nosso corpo diplomático ao nos colocar na posição de neutralidade e tomando parte ao lado do Guaído”, diz o cientista.

Apesar das grandes manifestações registradas terem dado tom vitorioso à oposição, Guilherme diz que “a crise da Venezuela está longe de ser concluída”. Para o especialista, o fato do atual governo ser apoiado por Rússia e China deve sustentar o regime por mais tempo. Ele cita, ainda, o exemplo da Síria, que há anos vive conflito armado por conta da tentativa da derrubada do governo, que é apoiado pelos mesmos dois países que estão ao lado de Maduro.

Entre a última terça-feira, 22, e a quarta-feira, 23, foram registradas 16 mortes durante os protestos contra Nicolás Maduro. A maioria das vítimas foram atingidas por armas de fogo. Sobre isso, Guilherme diz que o “país está à beira de uma guerra civil, e que por isso, para o governo brasileiro o mais importante no momento seria a preocupação com os brasileiros que lá vivem”.

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