Daniel Vilela: Temer deve promover mudanças na previdência e nas relações trabalhistas

Presidente do PMDB de Goiás nega qualquer retrocesso de direitos adquiridos, mas defende que é preciso modernizar legislação 

Deputado federal Daniel Vilela na tribuna | Foto: repordução

Deputado federal Daniel Vilela na tribuna da Câmara | Foto: reprodução

Presidente do diretório estadual do PMDB, o deputado federal goiano Daniel Vilela afirmou, em entrevista ao Jornal Opção na manhã desta quinta-feira (12/5), que o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) não resolve, de imediato, a situação crítica em que o Brasil se encontra. Para ele, ainda vai demorar algum tempo para que possamos “virar a página de vez” e dar início ao período de recuperação econômica.

Nesta manhã, 55 senadores aprovaram a abertura do processo de impeachment contra a petista e, por conseguinte, seu afastamento temporário por até 180 dias — até que o julgamento final aconteça. Na Câmara Federal, Daniel votou “sim” pela admissibilidade do impedimento, mas faz questão de ressaltar que o presidente interino, seu correligionário Michel Temer, deve tomar medidas eficazes para fazer com que a economia reaja.

“Estou constantemente com ele, nos reunimos bastante nos últimos dias. Nossa preocupação é a formação do governo, que seja preparado, atento às necessidades do País… O presidente Michel sabe da responsabilidade dele. A expectativa é muito grande, e a frustração pode ser também”, alerta.

Apesar de (ainda) não ter sido oficializado, um goiano participará do governo Temer — em local de destaque, no Ministério da Fazenda. Henrique Meirelles (PMDB) não é nenhum estranho ao cargo, foi titular da pasta durante anos da administração do ex-presidente Lula (PT). “É um nome competente e que tem todas as condições de rever a política econômica, interna e externa”, elogia o presidente do PMDB goiano.

Questionado se outros nomes do Estado poderiam compor a nova equipe, Daniel Vilela assegurou que o partido em Goiás não tem interesse em cargos e que o objetivo é “contribuir”. Ao avaliar nomes que já foram divulgados pela mídia, ele sugere que foi “uma aposta de risco” de Temer abraçar não só técnicos, mas também ministeriáveis políticos — em especial de partidos que eram aliados de Dilma, como o PSD e o PP; mas também da oposição, como o PSDB e o DEM.

“Entendo que a necessidade de governabilidade é imprescindível, pois é preciso aprovar as medidas importantes para destravar o governo. Acredito que hoje Temer tenha uma base tranquila no Congresso. Ouvimos algumas reclamações já, mas é normal. O importante é que os projetos serão encaminhados rapidamente e devem ser aprovados”, revelou.

Não haverá retrocesso

Governistas — que a partir de agora são oposição — têm “denunciado” medidas propostas pelo presidente interino Michel Temer que vão culminar na perda de direitos conquistados (em especial a CLT, Consolidação das Leis do Trabalho), redução de programas sociais (como o Bolsa Família) e até mesmo o fim de políticas de reafirmação social (cotas raciais nas universidades públicas).

“Não haverá retrocesso algum. O aumento anunciado pela presidente Dilma no valor do Bolsa Família será mantido, quer dizer, todos os programas sociais não sofrerão nenhum tipo de corte. O gargalo do País, a gordura que queremos queimar não está aí”, assegurou o presidente goiano.

No entanto, Daniel Vilela alertou para dois pontos considerados polêmicos que deverão ser revistos (ou pelo menos estudados) pelo novo governo: a Previdência Social e as relações trabalhistas. “A cada ano, o rombo na previdência aumenta estratosfericamente. Hoje, são mais de R$ 200 bilhões de déficit anual. É uma bola de neve, que vai inviabilizar o País. É preciso enfrentar com serenidade”, defendeu.

No que diz respeito às eventuais mudanças na própria CLT, o deputado federal não vê como um “retrocesso”, mas, sim, como um avanço. “Modernizar as relações trabalhistas é uma exigência do mundo moderno. Países avançados já fizeram isso. Há um significativo número de novas categorias, em especial as ligadas à tecnologia, que tem ritmo de produção diferente. Um jornalista, por exemplo, não pode ter o mesmo regramento de um trabalhador de chão de fábrica”, argumentou.

Para ele, as acusações são muito mais políticas do que propriamente técnicas: “Alguns ativistas, ligados a sindicatos, tentam transformar a mudança em política. Mas não é retrocesso”.

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