Cuba suspende envio de 710 médicos ao Brasil para o Mais Médicos

País caribenho reclama do aumento de ações judiciais de profissionais que querem permanecer no programa por mais tempo que o previsto inicialmente

Embora estivesse prevista para esta semana, o governo cubano suspendeu a liberação de 710 médicos para trabalharem no Brasil, apontando descumprimento de termos do acordo de cooperação entre os dois países. Em ofício enviado ao Ministério da Saúde, Cuba afirma que aumentaram as ações judiciais de médicos querendo permanecer no programa além do prazo estabelecido inicialmente, de três anos.

Para manifestar sua insatisfação, Cuba procurou a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que faz a mediação do programa. Agora, o Ministério da Saúde deve enviar uma delegação para tentar resolver a questão. Além de mencionar o aumento das ações judiciais, o governo cubano também questiona a contratação direta dos profissionais pelo ministério.

Criado para suprir a demanda de médicos em cidades do interior, o Mais Médicos tem novos editais a cada três meses para preencher novas vagas. No total, dessa nova leva de profissionais que seriam enviados ao Brasil, 600 eram novos bolsistas e 110 haviam sido selecionados para substituir médicos.

Os médicos cubanos foram escalados pelo governo brasileiro para preencher vagas em áreas carentes e de difícil acesso, que, apesar de disponibilizadas em editais, não eram preenchidas pelos profissionais brasileiros. A opção pelos estrangeiros foi muito criticada por entidades médicas brasileiras por eles, primeiro, não terem registro nos conselhos de medicina e, segundo, porque parte dos salários deles é retida por Cuba.

Desde 2015, o Ministério da Saúde tem como estratégia diminuir a proporção de médicos cubanos, que hoje ocupam 62,6% das 18.240 vagas do programa. A meta é que 4 mil profissionais sejam substituídos por brasileiros, reduzindo de 11,4 mil para 7,4 participantes de Cuba.

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