Crise político-econômica pode afetar mercado imobiliário goiano

Segundo dados, 54% dos goianos estão indecisos quando a questão é adquirir imóveis por conta da inflação alta e instabilidade política. Mercado imobiliário de alto padrão não foi afetado

Mercado imobiliário vive momento de instabilidade em Goiás | Foto: divulgação

A parcela de brasileiros que têm a intenção de comprar um imóvel passa por uma queda desde que atingiu o pico, no final de 2020. O principal fator que levou a ter essa baixa é o atual momento político-econômico do Brasil, de acordo com estudo do Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado de Goiás (SecoviGoiás), juntamente com a Associação dos Desenvolvedores Urbanos do Estado de Goiás (ADU-GO).

Para 54% dos goianos a conjuntura política e econômica do Brasil podem afetar na decisão de compra. Inflação e resultado das eleições presidenciais são preocupações.

Dados

O Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado de Goiás (SecoviGoiás), juntamente com a Associação dos Desenvolvedores Urbanos do Estado de Goiás (ADU-GO), divulgou nesta quinta-feira, 18, os resultados da pesquisa “Dados do mercado horizontal de Goiânia, Região Metropolitana e informações da intenção de Compras em Goiás”.

O estudo traz dados levantados em Goiânia e Região Metropolitana sobre o mercado imobiliário e revela que do total de consumidores pesquisados em todo o Brasil, que indicaram interesse em adquirir um imóvel, 72% deles têm interesse por imóveis residenciais. Além disso, itens como ampla área de lazer e mais de uma vaga na garagem despontaram como os principais fatores para a valorização de um imóvel no momento da compra.

Outro aspecto apresentado pelo estudo demonstra que 54% das pessoas entrevistadas na pesquisa apontaram que fatores como a atual conjuntura política e econômica do Brasil podem afetar na decisão de compra de um imóvel. E os dois principais fatores citados pelo levantamento foram o aumento da inflação prevista para 2022 e o cenário político complicado, considerando que no próximo ano estão previstas eleições no País.

De acordo com a corretora de imóveis de Goiânia, Juliana Miranda, após meses em alta,  o mercado começou a ter uma leve baixa, pois o preço do metro quadrado subiu consideravelmente de 2020 para 2021. “Por conta dessa instabilidade, existe um receio dos compradores no momento. Mas em contrapartida, os bancos continuam facilitando crédito imobiliário com taxas e condições muito atrativas. Isso faz com que as pessoas enxerguem oportunidade de conquistarem o imóvel dos sonhos, mesmo os valores estando tão altos”, explica ela.

Juliana explica que o imóvel geralmente é para moradia, ou seja, uma necessidade básica. “Assim como houve um grande aumento de preços no metro quadrado de venda, os aluguéis também subiram demais. As pessoas colocam na ponta do lápis valor de aluguel e valor de parcela do imóvel próprio e veem que o aluguel não compensa, a partir daí tomam a decisão da compra”.

Corretora Juliana acredita que o cenário só mudará mesmo se os bancos aumentarem as taxas | Foto: divulgação

A corretora de imóveis não vê essa instabilidade como um grande declínio, pois o mercado imobiliário está vindo de um nível alto, e por isso, ainda mantém uma média saudável. “Creio que esse cenário possa mudar caso os preços continuem subindo e os bancos subam suas taxas, o que pode dificultar os financiamentos”, lembra ela.

Mercado de luxo

Já para a corretora de imóveis de luxo, Gisela Araújo, o mercado imobiliário para vendas de imóveis de alto padrão não foi afetado, muito pelo o contrário. “Não tem crise para este setor, mesmo com o aumento de 2,3% no valor do metro quadrado, o que acarreta na disparada dos custos de materiais de construção. A realidade do mercado de alto padrão é que, desde o início da pandemia, as pessoas começaram a dar mais valor ao lar e resolveram investir nele ou até mesmo adquirir um novo imóvel”, explica ela.

Segundo corretora de imóveis do mercado de luxo em Goiás, o setor não foi afetado | Foto: divulgação

De acordo com Gisela, o crescimento na venda de imóveis de luxo também está ligado às questões de investimentos, já que outras formas aplicações não se mostram tão atrativas, principalmente por conta da alta do dólar. “As vendas para imóveis de médio padrão realmente foram afetadas, está acontecendo uma desaceleração e isso se dá muito por conta do valor do dólar, que está muito alto”, esclarece.

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