Crianças permanecem na fila de espera dos Cmeis de Goiânia e Prefeitura não responde

Mãe relata descaso da Secretaria de Educação ao receber encaminhamento de solicitação de vagas

Foto: Divulgação

Ainda em contato com famílias que precisam de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), o Jornal Opção apurou que crianças permanecem na fila de espera e lidam com descaso da Prefeitura de Goiânia quando vão solicitar o que lhes é direito.

A assistente em Recursos Humanos, Ana Paula, que conseguiu um emprego após dois anos desempregada, conta que o máximo que ocorreu nos últimos meses foi que seu filho, de 3 anos, subiu da 54ª colocação na fila do Cmei do Jardim Liberdade para a 49ª.

Ela foi ao Conselho Tutelar de sua região, onde recebeu uma carta de encaminhamento para ser entregue na Secretaria Municipal de Educação (SME). Lá, ela relata que foi mal atendida e nunca recebeu resposta. “Fui mal recebida, falaram que me responderiam em 10 dias, mas já se completaram 20 e até agora nada”, relata.

Para não ter que abrir mão do serviço, Ana Paula tem pagado uma creche particular, mas com muito sacrifício. “Estou tendo que tirar de onde não podia para conseguir pagar as mensalidades, só tem 30 dias que comecei no novo emprego, não queria ter que escolher entre cuidar do meu filho e ter uma renda”, explica.

Na Defensoria Pública, a assistente de RH tentou seguir o recomendado pelo órgão. Mas relata que há uma resistência por parte das escolas particulares em fornecer um orçamento para quem busca vaga em Cmeis.

Isso, porque, a defensoria pede que os interessados comprovem preços de duas escolas privadas próximas ao Cmei almejado para que se possa pedir para a Prefeitura arcar com a despesa, caso não garanta a vaga no ensino público. Essa medida seria possível por meio de um bloqueio de contas impetrado pelo órgão.

A coordenadora do Núcleo de Defensorias Especializadas da Infância e Juventude da Capital, Bruna Xavier, relata que é pedido para as pessoas que levem a página que mostra a posição na fila de espera, documentos pessoais e, também, orçamento em duas escolas particulares próximas à residência do solicitante.

“Isso, porque vamos entrar com ação para que o juiz determine à secretaria a disponibilização da vaga ou bloqueio de contas do Município para pagar pelo ensino privado”, detalha. Para isso, os responsáveis interessados na vaga devem, também, levar um comprovante de renda para provar a insuficiência financeira para bancar do próprio bolso.

Jornal Opção entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação, que não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação da pasta.

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