Crea repudia calourada da Liga das Engenharias da UFG

Conselho afirma que o ato de oferecer bebidas alcoólicas a mulheres de “sainha” e “vestidinho”, como é prometido em material de divulgação do evento, é sexista

Festa promete tequila à vontade para mulheres de “sainha” e “vestidinho” | Foto: Reprodução

Após polêmica sobre material de divulgação da calourada da Liga das Engenharias da Universidade Federal de Goiás (UFG), o Conselho Regional da Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) se manifestou divulgando uma nota de repúdio à postura do evento.

A comoção teve início no começo desta semana devido a um panfleto da calourada divulgado nas redes sociais no qual a organização oferecia tequila à vontade para mulheres que comparecessem à festa vestindo “sainha” ou “vestidinho”.

Em nota, o Crea afirma que entende o ato como sexista, pois “promove a desigualdade de gênero ao reforçar a objetificação feminina”. O presidente do conselho, Francisco Almeida, afirma ainda que os estudantes “deveriam primar pela equidade de gênero em todos os seus âmbitos, incluindo a social, salarial e educacional, sem o reforço de violências históricas e estruturais, como é o caso do machismo”.

“Não só o conhecimento técnico, mas também a consciência social é fundamental para a formação plena. Sendo assim, repudiamos quaisquer atos misóginos ou de desrespeito às mulheres”, finaliza Francisco.

Uma resposta para “Crea repudia calourada da Liga das Engenharias da UFG”

  1. Louriene Alves Fagundes disse:

    Engraçado que opiar financeiramente a Liga das Engenharias nos eventos esportivos a UFG e o CREA não querem não né. Agora se sentir no direito de se pronunciar contra um evento que visa arrecadar fundos para patrocinar os alunos nas competições, se sentem até demais. Como mulher não achei nada de sexista na promoção, primeiro porque não há obrigatoriedade de ir de vestido ou saia, o que existe é uma promoção pra quem for, segundo o evento é open bar de toda forma, assim seja lá qual for a roupa a moça que quiser ficar bêbada lá vai ficar, terceiro a promoção dá DIREITO a doses de tequila em momento algum foi dito que quem for tem a obrigação de aceitar as doses. Agora o que eu (mulher independente formada pela UFG) penso é que o movimento de repúdio iniciado nitidamente por uma linha feminista, que a muito não sabe mais o que quer de fato, se perdeu em debates dentro da page no face da ufg simplesmente porque a atitude se tornou contraditória. Todos os ano moças vão as ruas desta cidade e fazem um estardalhaço pelo direito de usarem a roupa que quiserem, elas saem com cartazes dizendo que não merecem ser estupradas (e ninguém, nem mesmo um homem merece), que a culpa e causa do estupro é unica e exclusivamente do estuprador, fizeram uma campanha ano passado falando que a mulher tem direito de encher a cara e que isso não dá direito a ninguém (homem ou mulher) de tocar o corpo dela e estupra-la. Pois bem, agora todos se levantaram para repudiar um evento em que foi explicitamente dito “venha com a roupa que quiser mas se vir assim ganha isso”, alegando que o evento cultua o estupro porque diz que as moças usarem sainha e vestidinho terão um open bar diferenciado, é porque o evento é open bar, assim como todos os eventos da LIGA. Segundo os repudiadores isso facilitaria o estupro, mas espera ai… Se as próprias moças dizem que o que causa o estupro é o estuprador então porque agora elas mostram um pensamento diferente, pra não dizer controverso? Oras terão muitos homens lá, mas o que essa manifestação de repúdio, e até algumas pessoas que a defendem falaram explicitamente, é que todos os alunos ali seriam estupradores, não estupradores em potencial, mas estupradores, que estariam armando para embebedar e estuprar “mocinhas inocentes” que saíram de suas casas por querer e se vestiram daquela forma por querer e ficaram bêbadas por querer. A mais ai vc está culpando a vítima!!! Não. Mas ninguém pode afirma que um homem por ser homem é um estuprador em potencial e é isso que está acontecendo. Eu tentei muito compreender e debater com os repudiadores na page do face da UFG, tentando explicar que a festa é open bar de toda forma, tentando entender como feministas repudiam uma festa que aceita que uma mulher se vista como quiser, e nunca ninguém lá me apresentou um argumento válido e lógico. Então quando finalmente eu perguntei o que estava sendo feito concretamente para evitar estupros nas calouradas (em todas, porque o estupro pode acontecer dentro de uma calourada da humanas e pode até ser cometido por uma mulher), ninguém se pronunciou. Quando questionei se os tais repudiadores e ativistas feministas tinham tirado a “bunda” (desculpe me a palavra) da cadeira e foram fazer algo tal como: verificar e solicitar policiamento para as calouradas, corpo de bombeiros e até um posto da delegacia da mulher, montar estandes de esclarecimento e orientação para as moças abordando as que saírem bêbadas demais para averiguar quem as está levando pra casa, etc. Quando questionei essas coisas ninguém mais respondeu, e a moderação da page apagou a postagem. Porque ficar ai sentado atrás de uma tela fingindo se importar com alguém é fácil demais, agora sair de casa e fazer alguma coisa pra evitar de fato que algo ruim ocorra… parece que o foco era só aparecer, até porque a muito tem sido esse o foco do movimento feminista em Goiânia. As pessoas se esquecem que homens também são estuprados, que eles também sofrem com as cobranças do mundo machista, mas acima de tudo as pessoas se esquecem que a unica pessoa verdadeiramente responsável pela preservação do seu corpo é você mesmo, pois gritar em passeata que “mulher” não merece ser estuprada pela roupa que vesta, não vai mudar a mente de um estuprador.

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