Conheça o marinheiro que pode fazer história com a primeira volta solo ao redor do Polo Norte
19 agosto 2026 às 10h01

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O marinheiro Matt Rutherford, de 45 anos, tenta se tornar a primeira pessoa a completar sozinho e sem assistência uma circunavegação do Oceano Ártico. A expedição histórica, que teve início em 25 de junho na costa oeste da Groenlândia, já percorreu aproximadamente 18,5 mil quilômetros por uma das regiões mais perigosas do planeta a bordo do veleiro Chimera, de 12,8 metros de comprimento.
A rota planejada pelo fundador da organização sem fins lucrativos Ocean Research Project atravessa o Atlântico Norte, segue pela costa ártica da Rússia e termina com a travessia da Passagem Noroeste no Canadá, um corredor marítimo que conecta o Atlântico ao Pacífico pelo extremo norte do continente. Este percurso, que nunca foi completado sem receber assistência, representa um dos maiores desafios náuticos da atualidade, especialmente devido às condições climáticas extremas e à presença do gelo marinho.
O principal obstáculo da expedição, contudo, não são os animais selvagens, mas sim as formações geladas que podem aprisionar o barco. Para enfrentar esse desafio, o Chimera está equipado com tecnologia de ponta, incluindo um radar para detectar blocos maiores de gelo e binóculos térmicos para localizar formações menores. Rutherford também carrega uma balsa salva-vidas para emergências.
No entanto, mesmo com esses equipamentos, o risco aumenta consideravelmente com a aproximação do outono, quando o gelo começa a se formar novamente. “Agora tenho luz do dia 24 horas por dia. Como você consegue enxergar o gelo no escuro?”, questionou o explorador em entrevista à NPR, destacando um dos dilemas mais perigosos da navegação ártica.
O calendário tornou-se outro adversário, pois qualquer atraso pode resultar em temperaturas mais baixas e no congelamento do mar ao redor do veleiro.

Surpreendentemente, Rutherford reconhece que a redução do gelo marinho, consequência direta do aquecimento global, tornou esta viagem possíve. “O fato de eu poder tentar esta viagem se deve à menor quantidade de gelo. E há menos gelo porque o planeta está mais quente. O Ártico está mudando mais rápido do que qualquer outro lugar na Terra.” Embora a extensão do gelo marinho no Ártico tenha diminuído cerca de um terço desde os anos 1980, o velejador alerta que “ainda haverá alguns trechos de gelo muito densos com os quais terei que lidar mais adiante, que podem determinar o sucesso ou o fracasso da viagem”, especialmente nas áreas próximas ao Alasca e ao leste da Sibéria.
Além do feito esportivo, a expedição serve para divulgar o trabalho do Ocean Research Project e atrair novos doadores para a organização. Normalmente, Rutherford comanda uma escuna usada em estudos sobre geleiras na Groenlândia, mas a falta de financiamento o levou a mudar de estratégia. A travessia também exige autorização do governo russo para navegar pela Rota Marítima do Norte, exigindo que o marinheiro informe sua posição diariamente a Moscou e comunique ao FSB caso se aproxime da costa.
Ele prevê que o Starlink deixe de funcionar em águas russas, reduzindo sua comunicação por semanas. “Não sei o que vai acontecer. Mas veja bem, isso não seria uma aventura se soubéssemos o final”, reflete Rutherford. A expedição já avançou pelos países nórdicos e entrou na região controlada pela Rússia.
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