Confira passado controverso de secretários de Iris Rezende

Conhecidos nomes da administração pública assumem cargos na gestão irista envoltos por escândalos  

Da esquerda para a direita, os secretários recém-empossados, Márcia Carvalho, Kleber Adorno e Samuel Almeida | Montagem-Fotos:Marcos Souza​

O peemedebista Iris Rezende reuniu a imprensa e aliados nesta segunda-feira (2/1) para anunciar parte do secretariado. Ao todo, 15 nomes foram adiantados pelo decano, sendo que o restante deve ser anunciado ao longo da semana. A lista conta com novatos, alguns com quase nenhuma experiência, e outros velhos conhecidos da administração pública.

É o caso de Kleber Adorno que volta a comandar a pasta de Cultura anos após ser alvo de ações do Ministério Público de Goiás por enriquecimento ilícito, fraude de licitação, lesão ao erário, além de atentar contra os princípios da administração pública.

Destaque do Jornal Opção à época, ele e o também ex-titular Doracino Naves foram acionados pelo órgão, suspeitos de fraudar licitações, causando prejuízo milionário aos cofres públicos. Adorno só deixou a prefeitura em 2012, quando o MP ofereceu as denúncias.

Outra velha conhecida dos goianienses é Márcia Carvalho. Ex-secretária de Educação, ela também já ocupou outros diversos cargos públicos e assume agora a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). Na primeira vez que foi secretária, ela foi denunciada pelo promotor de Justiça Fernando Krebs por improbidade administrativa por suposto realinhamento de preço em contrato de obras firmado com a empresa Capital Assessoria e Empreendimentos LTDA.

Em 2010, Márcia Carvalho também foi alvo de denúncia de representantes da Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo) por abuso de autoridade após destituir a diretora Mary Cristina Faleiro da Escola Municipal Castorina Bittencourt Alves, no bairro Carolina Park.

O aviso de destituição, conforme a entidade, teria ficado por conta de uma servidora municipal que, acompanhada pela Guarda Municipal, comunicou a então diretora sobre o imediato afastamento, e passou a ocupar seu cargo. Na ocasião, professores chegaram a ser expulsos da unidade escolar por membros da guarda. (Confira vídeo aqui)

Fantasmas na Assembleia

Ex-deputado e ex-presidente da Assembleia, o novo secretario de Governo de Iris Rezende, Samuel Almeida, já foi alvo de inquérito policial em 2007, acusado de facilitar um esquema que teria desviado meio milhão de reais de cofres públicos por meio de funcionários fantasmas e da igreja a qual era ligado.

Matéria da Agência Folha, à época, conta que ele teria empregado como assessores 12 funcionários que nunca foram trabalhar, e cujos salários seriam encaminhados a um irmão e a um sobrinho deputado, ambos pastores. À época, a defesa de Samuel negou as acusações e contou que os assessores não davam expediente na Alego, mas trabalhavam em cidades do interior do Estado.

Samuel também é alvo de uma ação civil pública de 2015 no caso que investigou a manutenção do padre Luiz Augusto Ferreira da Silva como funcionário fantasma do Legislativo estadual.

Envolvimento com construtora

Já o novo secretário de Infraestrutura Fernando Cozzetti é engenheiro e atua, conforme seu próprio currículo no Likedin, como superintendente da Construtora Central do Brasil (CCB), envolvida em escândalos nos mandatos anteriores de Iris, como a que envolve a extensão da Marginal Botafogo.

A obra começou no mandato de Pedro Wilson (PT), passou pelas duas administrações de Iris e só teve o contrato rompido em 2011, quando o Paço já estava sob o comando de Paulo Garcia. Devido a aditamentos, a obra custou no total R$ 75 milhões aos cofres públicos, R$ 40 milhões a mais do que o previsto inicialmente em licitação.

Conforme denúncia do vereador Elias Vaz (PSB), à época, a mesma construtora teria sido uma dos maiores contribuintes financeiras na segunda eleição de Iris à Prefeitura de Goiânia.

Inexperiência

Da lista dos secretários “novatos” está o nome de Anna Caiado, filha do senador Ronaldo Caiado (DEM), aliado político de Iris. A indicação foi criticada pela falta de experiência da auxiliar, nomeada para a Procuradoria-Geral do município.

Provável indicação do pai ao cargo, Anna já esteve lotada no gabinete de Caiado, quando ainda era deputado federal pelo PFL, e acabou exonerada em reforma administrativa empenhada pelo então presidente Aldo Rebelo, em 2006, em combate ao nepotismo na Casa, conforme mostra matéria do Estado de S. Paulo, à época.

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