A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) protocolou, nesta quinta-feira, 7, uma ação criminal contra o vereador Igor Franco (Podemos) e o deputado estadual Clécio Alves (PSDB). A empresa acusa os parlamentares de praticarem os crimes de calúnia, injúria e difamação, além de terem invadido uma área de acesso restrito da companhia.

A reportagem entrou em contato com Igor Franco, que reafirmou sua “prerrogativa de fiscalizar” e alegou que o prefeito Sandro Mabel usa a máquina pública para tentar intimidá-lo. Já o deputado Clécio Alves não atendeu às ligações. O espaço permanece aberto.

De acordo com o processo ao qual o Jornal Opção teve acesso em primeira mão, a disputa começou em janeiro de 2026, quando o vereador Igor Franco publicou vídeos em suas redes sociais anunciando a denúncia de um suposto “grande esquema de corrupção” na Prefeitura de Goiânia.

A situação se agravou em 10 de abril, quando os dois políticos teriam entrado sem autorização no Aterro Sanitário II, acompanhados de policiais legislativos e uma equipe de comunicação, ignorando os protocolos de segurança do local.

Segundo Comurg, Igor publicou vídeo com “denúncia” sem apresentar nenhuma prova | Foto: Reprodução

Em vídeos divulgados no Instagram, os parlamentares afirmaram a existência de um “cemitério de caminhões” da Comurg e criticaram a contratação da empresa terceirizada Limpa Gyn, mencionando valores de aproximadamente R$ 30 milhões mensais. Eles alegaram, ainda, irregularidades como a compra excessiva de pneus para poucos veículos e o pagamento de combustível para caminhões inoperantes.

A companhia rebateu as acusações e afirmou que o Aterro Sanitário II abriga veículos de diversas secretarias municipais há mais de 20 anos, e que muitos desses veículos são sucatas aguardando leilão ou possuem restrições judiciais que impedem sua circulação. Sobre a Limpa Gyn, a Comurg argumentou que a transferência dos serviços de coleta orgânica decorre de uma reestruturação administrativa legítima.

No processo movido, a Justiça determinou a retirada imediata de todos os vídeos ofensivos das redes sociais (como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube). Além disso, a empresa pediu uma indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil, alegando que as publicações feriram sua reputação institucional perante a sociedade.

Em nota enviada ao Jornal Opção, a Comurg confirmou ter ajuizado ação criminal em razão de acusações feitas por parlamentares nas redes sociais, e disse entender “que alegações sobre eventual prática de crimes devem ser discutidas e apuradas na esfera competente, que é o Poder Judiciário, motivo pelo qual o caso foi levado à Justiça”.

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