Comissão de inquérito vai convocar ex-secretários da Semas para esclarecimentos de irregularidades

Em plena investigação, secretário da Semas assina aditivo de contrato com gestoras de R$ 763 mil

Vereador Felisberto Tavares | Foto: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

Vereador Felisberto Tavares (PR), presidente da Comissão Especial de Inquérito que investiga irregularidades na Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), fez balanço de documentos recebidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e dados coletados de vistorias de casas de acolhimentos e restaurantes cidadãos. 

As análises dos documentos revelaram dados estarrecedores de pagamento suspeito de notas fiscais e aquisição de equipamentos novos, porém, sem uso. Em vistoria técnica, a comissão encontrou até usuários das casas de acolhimentos encarregados de cuidarem da portaria.

“Na próxima reunião vamos intimar algumas pessoas. Os secretários municipais de Assistência Social dos últimos cinco anos serão convocados para prestar depoimento. Tem muita inconsistência”, lamenta Tavares.

Os membros da comissão receberam documentos do Tribunal de Contas dos Municípios sobre despesas informadas como liquidadas pela Semas. Entra elas, notas fiscais de aquisição de abacaxi no valor de R$ 200 mil. Outra nota prestava contas de R$ 300 mil em compras de equipamentos para casa de acolhimento. No entanto, as vistorias da comissão não localizaram nenhum equipamento novo. 

Em visita a unidades do Restaurante Cidadão, o vereador afirma que as instalações estão abandonadas sem manutenção. Numa unidade também encontraram equipamentos de cozinha lacrados, de alta qualidade, porém, sem uso. 

Casas de acolhimento

A Casa da Acolhida foi vistoriada pela comissão na semana passada. As unidades não tinham nenhum item de segurança e higiene, por exemplo, imposto por lei municipal.

Os prédios não tem alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros e da da Vigilância Sanitária. Quem cuida da portaria são os próprios usuários, segundo relatos de Tavares. 

No entanto, o secretário da Semas, Mizair Lemes Júnior, assinou aditivo de contrato, no valor de R$ 763 mil, com a empresa que administra as unidades.

“Quem se beneficia com isso? Os usuários que não são”, questiona Tavares. 

Uma unidade da Casa Pop estava fechada às 15h, quando vereadores chegaram para vistoriá-la. O presidente ressaltou que a administradora, há poucas semanas, apresentou lista, á CEI, com dezenas de nomes de prestadores de serviços. 

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