Com rotatividade de 33,64%, passagens curtas ganham nova leitura entre recrutadores, diz especialista
09 setembro 2026 às 15h17

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Trocar de emprego em intervalos curtos pode chamar a atenção de recrutadores, mas não significa, por si só, que o profissional terá o currículo prejudicado. Em um mercado marcado pela rotatividade, especialistas apontam que o tempo de permanência é apenas um dos fatores observados durante um processo seletivo.
Em 2025, a taxa de rotatividade do emprego formal no Brasil foi de 33,64%, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O índice mostra a dimensão da movimentação de trabalhadores entre postos de trabalho no país.
O histórico de mudanças frequentes, no entanto, pode gerar questionamentos durante uma seleção, principalmente quando o candidato acumula diferentes vínculos de curta duração.
Para Virgilio Marques dos Santos, PhD pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, analisar apenas o período em que o profissional permaneceu em cada empresa pode deixar de fora elementos importantes da trajetória.
“O tempo de permanência mostra quanto tempo a pessoa ficou, mas não o que ela fez enquanto esteve lá. Se alguém passou por três empresas em cinco anos, por exemplo, a pergunta mais importante é o que essa pessoa entregou em cada uma dessas experiências e por que decidiu sair”, afirma ao Jornal Opção.

O que pesa na avaliação
Além da duração dos vínculos, fatores como responsabilidades assumidas, resultados alcançados e motivos que levaram às mudanças podem ser considerados pelos recrutadores.
Uma passagem curta pode estar relacionada, por exemplo, ao encerramento de um projeto, à reestruturação de uma empresa ou à mudança de área. Por outro lado, uma sequência de vínculos breves sem justificativas claras pode levantar dúvidas sobre a trajetória do candidato.
Segundo Santos, a diferença está no contexto e na capacidade de demonstrar o que foi produzido durante cada experiência.
“Se você consegue explicar cada saída com critério e mostrar o que construiu em cada passagem, três empregos em cinco anos contam uma história muito diferente de três empregos em cinco anos sem nenhuma entrega para apresentar. A questão não é apenas quanto tempo você ficou, mas o que fez com esse tempo”, diz.
Como explicar uma saída
O assunto costuma aparecer principalmente durante as entrevistas. Nesses casos, a recomendação é apresentar o motivo da saída de forma objetiva, evitando justificativas longas ou críticas à antiga empresa.
Santos sugere que a resposta seja dividida em três pontos: o que provocou a mudança, o aprendizado obtido durante a experiência e o motivo pelo qual a nova oportunidade se encaixa nos objetivos profissionais.
“Eu recomendo uma estrutura simples: primeiro, explique o fato; depois, mostre o que aprendeu com aquela experiência; por fim, explique por que a próxima oportunidade faz sentido para você. Em cerca de 30 segundos, você consegue responder sem se justificar demais”, explica.
No caso de uma reestruturação interna, por exemplo, o candidato pode informar que a área passou por mudanças e que o projeto no qual atuava foi encerrado. A partir daí, a conversa pode ser direcionada para as competências desenvolvidas e para a nova vaga.
“O recrutador precisa entender o que aconteceu, mas também quer saber se você consegue tirar algum aprendizado da experiência e o que procura na próxima etapa. A entrevista não é o lugar para contar a história do conflito”, afirma.
Passagens curtas devem ser escondidas?
O especialista também não recomenda esconder automaticamente uma experiência apenas porque ela durou pouco tempo. Um vínculo curto pode ter envolvido projetos, responsabilidades e resultados relevantes para a vaga pretendida.
O que pode pesar negativamente, segundo ele, é a dificuldade de explicar sucessivas saídas ou de apontar entregas realizadas durante os períodos trabalhados.
Nesse cenário, a análise deixa de se concentrar apenas nas datas registradas no currículo e passa a considerar a trajetória como um todo.
“Em vez de olhar apenas para a duração dos vínculos, recrutadores podem considerar o contexto de cada decisão, as responsabilidades assumidas e os resultados alcançados”, afirma Santos.
Assim, uma sequência de passagens curtas pode gerar perguntas em uma entrevista, mas não representa necessariamente um impedimento para uma nova contratação. O impacto dependerá dos motivos das mudanças, das experiências acumuladas e, principalmente, da capacidade do candidato de demonstrar o que realizou em cada emprego.
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