A organização do certame recomendou que os estudantes estivessem às 11h00, mas muitos se antecipavam nos arredores da universidade por volta das 10h30

A movimentação em frente a Universidade Paulista (Unip), no bairro Jaguaré, em São Paulo, começou cedo neste domingo (9/11), segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O receio de atrasar e perder a prova fez com que muitos chegassem ao local das provas com mais de uma hora de antecedência da abertura dos portões. A organização do certame recomendou que os estudantes estivessem às 11h00, mas muitos se antecipavam nos arredores da universidade por volta das 10h30. Os portões abriram às 12h e fecharam às 13h, no horário de verão de Brasília. No estado de São Paulo, são mais de 1,3 milhão de inscritos, o que representa 15,19% do total de concorrentes no país.

“A gente vê na televisão muita gente que tem problemas no caminho e chega em cima da hora ou que até perde a prova”, relatou a estudante Emanuelle Mastroantonio, 17 anos, que veio acompanhada da mãe Florinda, 53 anos. Esta é a terceira vez que ela presta o exame. “Eu era treineira”, explicou. Apesar da experiência com o teste, ela aponta que o nervosismo neste ano é maior. Hoje, a redação é o que mais a preocupa. “A gente não estuda tanto na escola como as outras matérias”, comparou Emanuelle, que vai tentar uma vaga em biomedicina.

Única prova discursiva no Enem, a redação não é o que mais assusta Fabiana Gonçalves, 32 anos. “Tenho mais medo de matemática. Costumo me dar melhor em português”, apontou. Ela, que hoje trabalha como atendente em um hotel, vai tentar enfermagem. “Acho que esse modelo dá mais oportunidade para as classes mais baixas. Eu terminei o ensino médio com 28 anos, mas, com filho pequeno, não tinha como tentar uma faculdade”, avaliou. Fabiana espera conseguir cursar uma vaga por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni).

É o que também espera Felipe de Almeida Cardoso, 18 anos. “Vou tentar engenharia em alguma federal, mas se não der vou pelo Prouni”, explicou. Ele teve que sair de casa mais cedo do que poderia, por volta das 9h, pois mora em Interlagos e a corrida de Fórmula 1, cuja etapa do Brasil ocorre hoje, poderia atrapalhar o seu trajeto. “Eu peguei um caminho mais livre, mas estava cheio por lá”, relatou. O estudante conta que a maratona de provas, além do desgaste mental, gera um cansaço físico. “Gente fica tentando encontrar uma posição na cadeira. Estou todo quebrado”, relatou.

Hoje, serão cinco horas e 30 minutos de prova, sendo 90 questões divididas entre linguagens e matemática, além da redação. A saída do local de prova é permitida após duas horas do início do exame, mas para levar o caderno de questões para casa é preciso esperar até 30 minutos antes do término.