Com média mensal de R$ 60 mil em arrecadação, Cemitério Parque ainda apresenta sinais de abandono

Semas afirma que trabalho de manutenção encontra dificuldades por abandonos de familiares e por rápido crescimento do matagal

Foto: Luiz Phillipe Araújo/ Jornal Opção

Um mês após o relator da CEI da Semas, vereador Felisberto Tavares (PR), apontar a precária manutenção do Cemitério Parque, trabalhadores relatam que houve ordem de mutirão para podar o matagal, que já cobria os túmulos. Apesar disso, expectativa é que em pouco tempo o mato alto e lixos acumulados pelos quatro alqueires voltem a ser realidade. Faltariam, segundo eles, repasses à administração do próprio local.

Em visita ao cemitério, o Jornal Opção encontrou um local diferente do descrito há quatro semanas. O mato, presente em toda a área, foi roçado há poucos dias, apesar disso, lixos que incluem entulhos, folhas e restos de homenagens ainda estão presentes por todo o cemitério.

Foto: Luiz Phillipe Araújo/ Jornal Opção

Durante a visita, funcionários que não quiseram ser identificados, relataram à reportagem não confiar que a rápida situação de melhora seja permanente. Entre os questionamentos feitos pelos trabalhadores do local está a dúvida sobre o destino das taxas cobradas pelos enterros.

Com média de 150 enterros todo mês, à taxas de sepultamento, exumação e expediente que somam R$ 485, a administração registraria mais de R$ 60 mil mensalmente, dinheiro que, segundo os trabalhadores, seria suficiente para solução permanente dos problemas de manutenção.

Além do Parque, a Prefeitura de Goiânia gere outros três cemitérios: Sant’Ana, Vale da Paz e Jardim da Saudade. O terceiro, voltado para a comunidade carente, é alvo de denúncias recorrentes também sobre a precária manutenção.

O que diz a Semas

Em entrevista, o secretário da Assistência Social da Prefeitura de Goiânia, Mizair Lemes Junior, afirma que há dificuldades naturais da manutenção quando o assunto é mato alto. Segundo ele, durante todo o ano a Comurg faz o trabalho de roçagem do local seguindo cronograma, mas que em época de chuvas o crescimento é acima do normal, não acompanhando o planejamento.

O secretário relata que a chamada poda química, com o uso de veneno, ajudaria nos trabalhos de manutenção, mas diz que o Ministério Público não autorizou a ação, por riscos de contaminação do solo.

Abandono de familiares

Sobre restos de construção e outros tipos de descarte, Mizair afirma que a administração da Secretaria identifica que há abandono dos túmulos por parte de algumas famílias – diferente da manutenção geral, o cuidado com os túmulos é de responsabilidades dos familiares do sepultado. Sobre os abandonos, o secretário afirma que a Semas está notificando para cobrar por cuidados.

Foto: Luiz Phillipe Araújo/ Jornal Opção

“Nos túmulos, o que ocorre é que há muita ação de vândalos, eles acabam quebrados e sem manutenção dos familiares. A Semas começou a fazer notificações para essas famílias”, explica o secretário.

Já sobre os repasses, Mizair explica que todas as taxas são reunidas em uma conta da Prefeitura, que posteriormente repassa à Semas. Segundo ele, o dinheiro é destinado para o corpo operacional dos cemitérios e o restante destinado à melhorias, e cita que há um processo de licitação em andamento para a construção de um novo muro no Cemitério Parque.

Uma resposta para “Com média mensal de R$ 60 mil em arrecadação, Cemitério Parque ainda apresenta sinais de abandono”

  1. Dalmy Pedro disse:

    “Sinais de abandono…” ????…ou totalmente abandonado ?? Um absurdo, uma falta de respeito por parte dos prefeitos dia últimos 20 anos !! Precisava, no mínimo fazer um muro descente !!

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