Com Lattes há mais de dez dias fora do ar, pró-reitor da UFG contabiliza prejuízos à comunidade científica

Laerte Guimarães lamentou descaso com a educação no país e exaltou esforços de pesquisadores e servidores em continuar na luta pela educação. Para o pró-reitor, queda no sistema do CNPq poderia ser evitada

Laerte Guimarães falou de prejuízos para comunidade científica. Foto: reprodução.

A queda no sistema da maior plataforma de currículos de pesquisadores do mundo completa onze dias nesta terça-feira (3). Responsável pela distribuição de recursos para pesquisas e pela organização da comunidade científica, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não consegue reestabelecer a estabilidade do sistema. Os prejuízos para educação são comparados ao fechamento de aeroportos no país.

A metáfora foi usada pelo pró-reitor de pós-graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG), Laerte Guimarães. Sem a base de currículos de pesquisadores, vários editais de cursos e distribuição de bolsa para pesquisa se encontram paralisados. “Toda base de informações sobre a produção cientifica do país está organizada na base Lattes. Se não há acesso a essa base, é como se houvesse um apagão de informações sobre o que o país produz em termos de ciência, o que é fundamental para decidir sobre alocação de recursos. É como se tivessem fechado os aeroportos de todo o país para a ciência”, comparou o professor.

O pró-reitor estima que cerca de 8 milhões de currículos estão comprometidos. Além do Lattes, a plataforma Carlos Chagas também está inacessível. O governo havia prometido que até segunda-feira (2), o sistema da agência voltaria a funcionar, o que não se concretizou.

Laerte Guimarães exaltou os esforços do CNPq para tentar corrigir o problema. No entanto, acredita que a causa principal está no corte de orçamento da educação. Em 2021, os recursos alocados para a área foram 37% menor se comparado ao de 2010. É uma perda de cerca de R$2,6 bilhões.

Nesse sentido, o pró-reitor acredita que, assim como as universidades federais, o CNPq se mantém por conta da competência e dos esforços de sua gerência e servidores. “Estou tranquilo quanto à gestão do CNPq. Mas o CNPq, hoje, tem o menor orçamento desse século. É um corte de recurso que está afetando não somente a pesquisa, mas também mesmo seu funcionamento”, pontuou Laerte Guimarães.

Apesar de reconhecer que qualquer agência está sujeita a ter seu sistema afetado, o pró-reitor não crê que a instabilidade vivenciada no site do CNPq seja coincidência. Para Laerte Guimarães, a situação é comparada ao incêndio no Museu Nacional e na Cinemateca. “São mortes anunciadas. O órgão (CNPq) está passando por um sucateamento. Me questiono se são coincidências. A educação está sucateada. A UFG, com o orçamento desse ano, está funcionando pela garra das pessoas. Infelizmente, esses acontecimentos não são isolados”, lamentou pró-reitor.

Laerte levantou três tópicos que poderiam ser feitos para evitar esse tipo de desgaste nas plataformas: o espelhamento em outro local, a manutenção adequada e periódica desses sistemas e o orçamento mais adequado para realizar esses ajustes.

Na última segunda-feira (2), o CNPq, através de uma rede social, afirmou que nenhum dado foi perdido, que o pagamento de bolsas não será comprometido e que trabalha para solucionar o problema.

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