Com programação gratuita e uma noite exclusiva de exibição, a 1ª Sintético – Mostra de Filmes de Inteligência Artificial será realizada no dia 13 de agosto de 2026, às 20 horas, no Cine Cultura, localizado na Praça Cívica, em Goiânia. O evento reúne pesquisadores, realizadores, estudantes e o público em geral para assistir a filmes produzidos integralmente com ferramentas de inteligência artificial e refletir sobre as possibilidades criativas, estéticas e éticas da aplicação da tecnologia no audiovisual.

 A curadoria da mostra, assinada por professores e estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), selecionou obras que evidenciam diferentes formas de incorporação da inteligência artificial ao cinema contemporâneo.

Para o professor de Cinema da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rodrigo Cássio Oliveira, a expansão da inteligência artificial no setor audiovisual é um movimento natural da própria evolução da indústria criativa.

“É algo que já é evidente: a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço e isso deve continuar acontecendo. É um movimento natural do cinema acompanhando toda a indústria criativa, porque as soluções de inteligência artificial que vêm surgindo facilitam ou tornam mais possíveis determinadas coisas que antes eram muito caras de se fazer”, afirma o professor ao Jornal Opção.

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Mostra de Filmes de Inteligência Artificial | Foto: Divulgação

Com programação gratuita e uma noite exclusiva de exibição, a Mostra Sintético reúne pesquisadores, realizadores, estudantes e o público interessado em discutir as possibilidades criativas, estéticas e éticas da IA aplicada ao cinema. A curadoria, assinada por professores e estudantes da UFG, selecionou filmes que apresentam diferentes formas de utilização da tecnologia na produção audiovisual contemporânea.

Após a exibição das obras, o público participa de um debate com especialistas sobre temas como autoria, criatividade, direitos autorais, mercado de trabalho e o papel da inovação tecnológica no futuro do cinema.

Segundo Rodrigo Cássio Oliveira, além da redução de custos, a inteligência artificial também traz uma nova dinâmica de produção, marcada pela velocidade de criação e pelo surgimento de novas possibilidades estéticas.

“A velocidade com que o resultado surge também é um fator importante. A inteligência artificial, por exemplo, para aquilo que antes chamávamos de efeitos especiais no cinema, tende a se tornar uma tecnologia padrão para determinados gêneros, como o terror, que dependem muito desse tipo de recurso”, explica.

O professor destaca que alguns filmes selecionados para a mostra já utilizam inteligência artificial na criação de elementos visuais, como personagens e criaturas, mas ressalta que a tecnologia não representa apenas uma ferramenta de economia ou agilidade.

“A inteligência artificial também propõe uma estética própria. Ela não responde pelo mesmo tipo de trabalho criativo humano que existia antes da IA. Essa mudança na natureza do processo criativo também precisa ser questionada”, afirma.

Filmes de IA ainda buscam espaço no cinema tradicional

Apesar do crescimento das ferramentas de inteligência artificial, Rodrigo Cássio Oliveira avalia que os filmes produzidos integralmente com essa tecnologia ainda estão em fase experimental e não ocupam um espaço consolidado no mercado cinematográfico.

“Eu não vejo preconceito em relação a essas obras. O que existe ainda é uma experimentação muito grande. Os filmes feitos inteiramente com inteligência artificial são novidades, e existe um reconhecimento do que essa tecnologia pode fazer”, comenta.

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Segundo Rodrigo Cássio Oliveira, além da redução de custos, a inteligência artificial também traz uma nova dinâmica de produção | Foto: Acervo pessoal

Para ele, essas produções ainda circulam principalmente em nichos formados por pessoas interessadas em tecnologia, e a Mostra Sintético tem justamente o objetivo de levar esses filmes para o ambiente tradicional do cinema: a sala de exibição.

“Esses filmes geralmente são consumidos em outras plataformas, como telas de celular e computadores. Uma das curiosidades da mostra é justamente perceber como eles funcionam na tela do cinema, que é o ambiente por excelência da experiência cinematográfica”, explica.

O professor afirma que o futuro dessas produções dependerá da capacidade de a indústria absorver essas novas formas de criação.

“A questão é entender se o cinema vai absorver de fato essas obras ou se elas continuarão muito nichadas, voltadas para um público específico”, avalia.

Humano continua no centro do processo criativo

Apesar do avanço tecnológico, Rodrigo Cássio Oliveira afirma que a inteligência artificial não elimina a participação humana na criação cinematográfica. Para ele, o comando, a escolha e a interpretação continuam sendo decisões humanas.

“A inteligência artificial sem o comando humano não faz nada. O ser humano não está excluído desse processo. Ele continua tomando decisões, como escolher uma imagem, definir sua utilização e construir o discurso cinematográfico”, afirma.

Segundo o professor, a IA deve ser compreendida como uma ferramenta de criação, e não como uma substituta da criatividade humana.

“Os filmes continuam sendo produzidos por seres humanos que utilizam imagens criadas artificialmente para montar uma narrativa e construir uma experiência cinematográfica. A inteligência artificial é uma ferramenta, não uma substituição da criação humana”, destaca.

Desafios para profissionais e direitos autorais

Rodrigo Cássio Oliveira também chama atenção para os desafios relacionados ao mercado de trabalho, especialmente diante da possibilidade de algumas funções técnicas serem modificadas pela automação.

“O maior desafio é entender para onde vão os profissionais que antes eram responsáveis por fazer aquilo que a inteligência artificial começa a realizar. O modo como se trabalha muda, e a técnica necessária para criar algo pode ser substituída pela ferramenta”, afirma.

Na avaliação do professor, a tendência é que o cinema passe por uma reorganização das funções dentro dos processos de produção.

“É possível que algumas funções dentro de um set de cinema sejam reorganizadas. A divisão tradicional do trabalho cinematográfico, com diretor, diretor de arte, cenógrafo, montador e outros profissionais, pode passar por transformações”, explica.

Apesar disso, Rodrigo ressalta que a inteligência artificial não deve substituir completamente o cinema tradicional.

“É muito duvidoso que filmes feitos inteiramente por inteligência artificial representem a totalidade ou mesmo a maioria da produção cinematográfica. O cinema não vai deixar de existir. A IA deve ter um uso cada vez maior, principalmente em alguns gêneros e situações específicas”, afirma.

Mostra propõe reflexão sobre o futuro do audiovisual

Para Rodrigo Cássio Oliveira, a discussão sobre inteligência artificial no cinema precisa estar acompanhada da experiência de assistir aos filmes e analisar seus resultados.

“É fundamental conversar sobre tudo isso, mas principalmente ver os filmes. Precisamos assistir, pensar sobre eles, comparar com o cinema que já existia e entender o que essa ferramenta pode contribuir para a linguagem cinematográfica”, afirma.

A primeira edição da Sintético – Mostra de Filmes de Inteligência Artificial é uma realização da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG, em parceria com o Cine Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult-GO).

“A proposta da mostra é justamente trazer esses filmes ao público e estimular um debate qualificado, baseado no que está sendo mostrado na tela. Esperamos continuar nos próximos anos acompanhando a própria evolução do mercado e da inteligência artificial no cinema”, conclui Rodrigo Cássio Oliveira.

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