Cientistas encontram novo tipo de ebola em morcegos que pode saltar para humanos

A preocupação dos estudiosos está no fato de que os morcegos são hospedeiros de doenças que podem ser transmitidas para humanos, as chamadas doenças zoonóticas

Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos da América encontraram em um morcego um novo tipo ebolavírus, o Bombali. O estudo ainda está em revisão e foi submetido à revista científica Cell Press. A preocupação dos estudiosos está no fato de que os morcegos são hospedeiros de doenças que podem ser transmitidas para humanos, as chamadas doenças zoonóticas.

Uma das principais teorias em relação ao surgimento da Covid-19 é de que o coronavírus tenha passado de morcegos para humanos. Outro exemplo desse tipo de doença, é a gripe suína. Em 2014, o vírus Ebola ficou popularmente conhecido e matou milhares de pessoas. Ele é uma das seis espécies conhecidas de ebolavírus. Há 40 anos, o patógeno está presente e circulante pela África Oriental e Central e, de tempos em tempos, contamina pessoas de forma fatal. Outros ebolavírus são igualmente mortais.

Entre os anos de 2014 e 2016, aproximadamente dois terços dos infectados pelo Ebola morreram da doença, fato que aumenta a preocupação dos pesquisadores, pois em caso de surto, é preciso que se tenha uma ideia da melhor forma de lidar.

Entre as etapas de estudo, a primeira é confirmar se realmente a doença poderá infectar humanos, pois caso contrário, não há necessidade de preocupação. Esse estudo consiste na análise de interação entre o vírus Bombali e o sistema imunológico humano. Depois de isolar o vírus por meio de um processo de genética reversa, os cientistas o expuseram a macrófagos humanos, que são glóbulos brancos que “comem” organismos invasores como vírus.

Como o Ebola, o vírus Bombali infectou células humanas e macrófagos humanos primários, sendo capazes de entrar eficientemente nas células, com o mesmo mecanismo. Os pesquisadores constataram que ambas as doenças infectaram um número semelhante de macrófagos, mas a alteração de RNA para alcançar a replicação foi feita de forma diferente. Enquanto os dois induziram reações imunes das células do sangue, apenas o Ebola, e não o Bombali, provocou a implantação de uma resposta antiviral.

Os pesquisadores então, através de uma nova técnica, descobriram que as principais diferenças das duas doenças estão na sequência genômica com genes que codificam citocinas inflamatórias, quimiocinas e genes estimuladores de interferon — partes importantes do sistema imunológico.

Para um possível tratamento contra o Bombali, os pesquisadores começaram com os tratamentos atuais do Ebola, com medicamento antiviral de amplo espectro, o Remdesevir e terapias de anticorpos monoclonais. O medicamento conseguiu suprimir a replicação do vírus e prevenir a infecção. 

A pesquisa foi realizada como uma forma de antecipação dos estudos científicos caso uma nova doença potencialmente fatal seja desencadeada no mundo, para que cientistas possam se armar no combate de desenvolvimento de novos fármacos.

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