Cientistas divulgam carta aberta pedindo reformulação de projeto europeu sobre o cérebro humano

Entre as pretensões do projeto, está a criação de um modelo do cérebro humano e a simulação em computador de todas as reações cerebrais. Tais objetivos foram atacados pelos signatários da carta, que acusam a comissão de gastar dinheiro em “sonhos”

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Um grupo de 360 neurocientistas europeus divulgou uma carta aberta pedindo mais transparência ao Projeto Cérebro Humano (HBP, na sigla em inglês) financiada desde o ano passado pela Comissão Europeia (CE). A pesquisa visa compreender as minúcias do funcionamento do órgão.

Entre as pretensões do projeto, está a criação de um modelo do cérebro humano e a simulação em computador de todas as reações cerebrais. Tais objetivos foram atacados pelos signatários da carta, que acusam a comissão de gastar dinheiro em “sonhos”, ao invés de objetivos viáveis.

O projeto foi aprovado pela Comissão Europeia em Janeiro de 2013, no âmbito da iniciativa Tecnologias Futuras e Emergentes da União Europeia. No entanto, das 150 equipes que faziam parte do programa inicialmente, diversas o abandonaram devido à sua condução.

Para eles, a abordagem “excessivamente estreita” do programa poderia colocar o continente na retaguarda do progresso científico, mesmo com os mais de 100 milhões de euros garantidos pelos próximos 10 anos. Eles criticaram também a dissolução de um ramo do projeto intitulado “Arquiteturas Cognitivas”, que seria o coração do projeto, por explorar implicações comportamentais.

Segundo os signatários da carta, ela foi divulgada agora porque a Comissão Europeia deve realizar em breve “uma avaliação formal da primeira fase do projeto [HBP] e da planificação da fase seguinte”. “Nesse contexto, queremos dizer que, na nossa opinião, o HBP está no rumo errado”, ressalta o texto.

“Questionamos fortemente a ideia de que os objetivos e a metodologia da liderança do HBP sejam adequados para constituir o núcleo de uma colaboração na Europa que nos permita perceber melhor o cérebro”. E os signatários encerram a carta com uma ameaça: “No caso de não ser possível a CE adotar estas recomendações, nós, abaixo-assinados, comprometemo-nos a não nos candidatarmos para projetos em parceria com o HBP e instaremos os nossos colegas a juntarem-se a nós nesse compromisso.”

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