A chuva registrada em Goiânia nesta terça-feira, 22, provocou uma recuperação pontual no nível do Rio Meia Ponte, mas ainda não foi suficiente para mudar o cenário de estiagem que levou o manancial ao Nível Crítico 1. Segundo o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cihmego), André Amorim, o rio apresentou elevação após a precipitação, embora o efeito ainda seja limitado.

“Hoje pela manhã tinha aumentado 2 ou 3 centímetros. A gente ainda não fechou a medida do dia, mas teve uma percepção positiva. Vamos ter uma breve recuperada e estaremos acompanhando”, afirmou ao Jornal Opção.

O Nível Crítico 1 foi oficializado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) após a vazão média móvel de sete dias ficar abaixo de 5.500 litros por segundo no ponto de captação da Saneago, em Goiânia. A classificação, por enquanto, não implica redução da captação destinada ao abastecimento público nem racionamento de água na capital.

De acordo com Amorim, a chuva ajuda a amenizar os efeitos do período seco, mas está longe de representar o fim da estiagem.

“Ela vai amenizando um pouco a situação. Mas o período de estiagem ainda continua”, explicou.

Para que o Meia Ponte apresente uma recuperação mais consistente, segundo o gerente do Cihmego, será necessária uma sequência de dias com chuva. Precipitações isoladas, intercaladas por períodos de calor e tempo seco, tendem a provocar apenas aumentos temporários no nível do manancial.

“Essa chuva para, volta, vai, vem, não consegue manter, dar uma ativada realmente, manter o rio funcionando”, afirmou.

A previsão do Cihmego indica possibilidade de novas pancadas de chuva até sexta-feira, 25. Para o fim de semana, no entanto, a tendência é de maior estabilidade do tempo e retorno das temperaturas elevadas.

Vazão chegou ao menor nível do ano

Apesar da chuva, o painel de monitoramento do Rio Meia Ponte registrou vazão de 3.847,3 litros por segundo na terça-feira, 22, o menor valor diário registrado em 2026 até o momento. A média móvel de sete dias estava em 4.633,7 litros por segundo.

O valor diário, porém, não provoca uma mudança automática na classificação de criticidade. Pelas regras de monitoramento da bacia, uma nova classificação somente pode ser definida após sete dias da determinação do nível vigente.

Antes da precipitação desta semana, a região acumulava 15 dias consecutivos sem registro de chuva.

Mesmo diante da redução da vazão, Amorim avalia que a situação ainda não alcançou a gravidade observada em períodos críticos anteriores. As chuvas esporádicas, segundo ele, têm ajudado a evitar uma queda ainda mais acentuada.

“Por enquanto, apesar dos pesares, nós ainda estamos bem. Essas chuvas intermediárias acabam dando uma sobrevida. Está complicado, mas vai dar uma sobrevida”, afirmou.

Segundo o gerente do Cihmego, a irregularidade das chuvas deve continuar nos próximos meses, com uma recuperação mais consistente dos mananciais dependendo da consolidação do período chuvoso.

Abastecimento de Goiânia segue normal

Mesmo com o Meia Ponte em Nível Crítico 1, o abastecimento de água em Goiânia permanece normal, segundo a Saneago. A capital conta com sistemas produtores abastecidos pelo Rio Meia Ponte e pelo Ribeirão João Leite.

Atualmente, cerca de 64% da água distribuída em Goiânia vem do Ribeirão João Leite, enquanto o Meia Ponte responde pelos outros 36%.

A integração entre os sistemas é um dos fatores que ajudam a manter o fornecimento. Uma adutora permite reforçar o Sistema Meia Ponte com até 800 litros por segundo provenientes do João Leite. Já a Conexão Cristina, inaugurada no ano passado, ampliou a possibilidade de transferência de água entre as estruturas, com capacidade operacional de até 2.124 litros por segundo.

A barragem do Ribeirão João Leite está com 83% do volume armazenado. O reservatório possui capacidade total de 129 milhões de metros cúbicos.

Segundo a companhia, a Estação de Tratamento de Água (ETA) Meia Ponte tem capacidade para tratar até 2 mil litros por segundo. As estações Mauro Borges e Jaime Câmara podem tratar até 4 mil e 2 mil litros por segundo, respectivamente.

O que muda com o Nível Crítico 1

O primeiro nível de criticidade é acionado quando a vazão média móvel de sete dias do Meia Ponte atinge 5.500 litros por segundo ou menos no ponto de controle da captação da Saneago.

Nesse estágio, as medidas são voltadas principalmente ao acompanhamento do manancial e ao uso consciente da água. Estão previstas ações de orientação, fiscalização de usuários e reuniões periódicas para avaliar a situação da bacia.

O Nível Crítico 1 não determina redução imediata das captações nem restrições ao abastecimento público. A Saneago, porém, deve manter planejamento para uma eventual necessidade de racionamento caso a situação se agrave.

Se a vazão continuar diminuindo, a bacia pode avançar para níveis mais restritivos. No Nível Crítico 2, cujo parâmetro é de 4 mil litros por segundo ou menos, passam a ser previstas reduções de captação para determinados usuários.

Apesar de o abastecimento continuar regular, a Saneago orienta a população a evitar desperdícios enquanto as chuvas não se regularizam. A companhia afirma ainda que investimentos recentes ampliaram a segurança hídrica de Goiânia e que o índice de perdas na distribuição foi reduzido para 21,5%.

A vazão do Meia Ponte continuará sendo monitorada nos próximos dias para avaliar o impacto das novas chuvas e a evolução do nível de criticidade.

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