Da perda de peso à flacidez: médica explica efeitos das canetas emagrecedoras e busca por tratamentos
23 setembro 2026 às 19h10

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A perda de peso proporcionada pelos medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” tem levado uma nova demanda aos consultórios de estética. Após o emagrecimento, pacientes procuram tratamentos para lidar com alterações que podem surgir ao longo do processo, como flacidez, perda de volume, redução de massa muscular e mudanças no contorno corporal.
Ao Jornal Opção, a médica Raquel Mamedes, especialista em harmonização corporal, glútea e facial, explicou que a intensidade dessas alterações está relacionada principalmente à quantidade de peso eliminada. A velocidade do emagrecimento também pode influenciar, mas não é o único fator.
“Quando existe uma perda de peso muito grande, a redução acontece não apenas na gordura, mas também pode haver perda de massa muscular. Isso modifica diretamente o contorno corporal e pode deixar uma flacidez importante”, explicou.
As mudanças podem ser percebidas tanto na pele quanto na musculatura. Com a redução do volume corporal, a pele que antes acompanhava uma quantidade maior de tecido pode apresentar sobra. Ao mesmo tempo, a perda de massa muscular pode modificar o formato e a sustentação de determinadas regiões do corpo.
Segundo Raquel, a flacidez está entre as principais queixas de pacientes que chegam ao consultório após um emagrecimento significativo. Embora a prática de atividade física possa contribuir para preservar ou recuperar massa muscular, alterações importantes na pele podem exigir avaliação e tratamentos específicos.
A quantidade de peso eliminada faz diferença nesse processo. Uma pessoa que perde 20 quilos, por exemplo, pode apresentar alterações mais acentuadas do que alguém que eliminou cinco quilos, ainda que o emagrecimento tenha ocorrido em períodos semelhantes.
Por isso, a médica destaca a importância do acompanhamento durante todo o processo. Avaliações periódicas da composição corporal podem identificar uma redução excessiva de massa muscular e permitir ajustes antes que o paciente alcance o peso pretendido.
“O ideal é que o emagrecimento seja acompanhado, gradual e planejado. A avaliação da composição corporal permite observar quanto de massa muscular está sendo perdida e fazer ajustes durante o processo”, afirmou.

Tratamentos devem considerar estabilização do peso
O momento de iniciar procedimentos estéticos também deve ser considerado. Segundo Raquel, pacientes que ainda pretendem perder uma quantidade significativa de peso podem precisar esperar antes de realizar intervenções destinadas à correção do contorno corporal.
Isso porque a continuidade do emagrecimento pode modificar novamente a distribuição de volume e a aparência da pele, alterando os resultados de procedimentos realizados anteriormente.
“Se a pessoa ainda pretende emagrecer, o tratamento estético pode precisar ser refeito depois. Por isso, gosto de planejar essa etapa quando o paciente já está próximo do peso que pretende alcançar”, explicou.
A escolha do tratamento também depende do grau de flacidez. Casos leves ou moderados podem ter indicação de procedimentos menos invasivos, enquanto o excesso acentuado de pele pode demandar avaliação de um cirurgião plástico.
Da balança para o espelho
Para Raquel, o aumento da procura por tratamentos após o emagrecimento mostra que atingir o peso desejado nem sempre encerra a jornada do paciente. Em alguns casos, a redução dos números na balança é acompanhada por mudanças na aparência que não eram esperadas.
As alterações podem atingir diferentes regiões do corpo, como rosto, abdômen e glúteos. A perda de volume nessas áreas, especialmente entre usuários de medicamentos para emagrecimento, ganhou inclusive apelidos nas redes sociais.
“A pessoa busca inicialmente resolver o sobrepeso, mas muitas vezes não está preparada para as mudanças que podem aparecer depois. Pode haver flacidez, perda de massa muscular e alteração do contorno corporal”, afirmou.
Quando há excesso acentuado de pele, porém, a médica ressalta que tratamentos estéticos podem não ser suficientes para alcançar o resultado esperado. Nessas situações, pode ser necessária uma avaliação cirúrgica.
Planejamento deve ser individualizado
A orientação é que quem passa por um processo de emagrecimento tenha acompanhamento profissional desde o início, e não apenas quando surgirem alterações estéticas. Além do acompanhamento médico relacionado ao uso dos medicamentos, o cuidado com alimentação e atividade física pode ajudar na preservação da massa muscular durante a perda de peso.
Após a estabilização, a avaliação estética deve considerar as características individuais, a quantidade de peso perdida, o grau de flacidez e as regiões que mais incomodam o paciente.
“É preciso avaliar individualmente. Primeiro entendemos qual é o grau de flacidez e o que realmente incomoda aquela pessoa. A partir daí, definimos se é possível tratar com procedimentos minimamente invasivos ou se existe indicação de uma abordagem cirúrgica”, explicou.
Para a especialista, essa etapa deve fazer parte de um planejamento de longo prazo, e não ser encarada como uma tentativa de corrigir rapidamente todas as mudanças provocadas pelo emagrecimento.
A definição de qualquer procedimento deve considerar o estado de saúde do paciente, a composição corporal e a estabilização do peso. A partir dessa avaliação, é possível estabelecer quais intervenções são adequadas e quais resultados podem ser esperados de cada tratamento.
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